Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que eu não sou um filósofo, nem tenho autoridade superior a de nenhuma outra pessoa no que se trata viver, e esse post está cheio de anedotas no sentido de falácia lógica, e também achismos. Então, sinta-se livre para discordar do que eu tenho para dizer aqui, mas não espere um tratamento diferente.
“World building” ou “construção de mundo”, segundo a Wikipédia, é “o processo de construção de um mundo imaginário, muitas vezes associado a todo um universo fictício.” Para o público consumidor, o termo também é frequentemente usado alternadamente com “lore” ou a “história do mundo”. Se você tem o menor interesse em contar histórias, você provavelmente já ouviu o termo antes.
E se esse é o caso, você provavelmente também já se deparou com vários canais do YouTube, Subreddits, artigos, e até cursos inteiros e muito mais sobre o tópico; conteúdo com títulos parecidos com “como nomear seus países,” ou “como criar línguas imaginárias,” ou “geografia para world building,” ou ainda coisas muito mais nichadas como “porquê reptilianos DEVEM/NÃO DEVEM ter peitos.”
E tudo isso é muito bacana e divertido é claro, tanto para os fãs da obra quanto para seus autores, mas...
Antes de qualquer coisa, isso não é uma crítica a qualquer uma dessas ideias, eu não acredito que eu esteja numa posição de discutir tópicos tão complexos com o pouco que sei, mas é algo interessante de apontar mesmo assim.
“Escreva mal, mas escreva”, uma tradução livre do título do documentário “Don’t Get It Right, Get It Written”. E se você está em busca de inspiração para começar seu próximo livro ou roteiro ou qualquer trabalho escrito, eu recomendo demais esse documentário.
Romance hot, ficção erótica, histórias de amor com cenas de sexo explícito. São histórias tão válidas de serem lidas ou escritas quanto qualquer outra. PORÉM, eu tenho um grande problema com o gênero.
A arte de anime, ou cartoon, é comumente associada a amadores, porque não é raro que esses estilos sejam a introdução de muita gente à prática de desenhar. É claro, isso não significa que sejam estilos inerentemente ruins, de maneira alguma.
Dito isso, o que seria o fenômeno equivalente no mundo da escrita criativa?
O personagem volta no tempo para corrigir os arrependimentos do
passado, mas independente do que ele faça, o resultado é igualmente ruim ou
ainda pior do que aquele da linha temporal original. Então ele volta para o
presente, sem realmente fazer nada. Moral da história: independente do que você
fizesse, sua vida seria uma porra de qualquer jeito, você nasceu para sofrer,
então nem perde tempo reconhecendo seus erros ou os erros dos outros.
Eu acho esse tipo de visão de mundo passiva e conformista
bastante rasa, e muitas vezes até ofensiva.
“Mimese” é a ideia de que a ficção copia (ou deveria copiar) a realidade. Uma obra muito famosa que segue essa filosofia é Godzila, por exemplo; todo mundo já está careca de saber que o monstro representa a bomba nuclear, e quando usado pelos japoneses ele é um vilão, mas quando usado pelos americanos, é um herói. Porém, existem outras histórias igualmente populares que podem ser lidas como fazendo referência a eventos históricos de forma proposital ou não, que eu não vejo muita gente falando sobre. Se você não tem medo de spoilers, algumas dessas obras, e seus paralelos históricos são...
“Dark fantasy”, ou “fantasia sombria”, é um gênero de ficção
que eu gosto muito, e dentro desse meio é bastante comum ouvir as pessoas
elogiando e incentivando a criação de personagens moralmente ambíguos. E, de
fato, eles se encaixam melhor nesses cenários do que personalidades idealizadas
e estereotipadamente mais heroicas... Porém, eu acho que algumas pessoas não
sabem o que realmente significam termos como “moralmente ambíguo”, ou
“personagem cinza”, ou “anti herói”.
“Mate os seus queridinhos” é uma frase famosa no mundo da
escrita, tornada ainda mais famosa por Geroge Martins, autor das Crônicas de
Gelo (que deu origem à série de TV Game of Thrones).
Toda história é política. Essa é a visão de mundo com a qual
um YouTuber que eu tava assistindo hoje de manhã tombou enquanto analisando
novelas da Globo. E enquanto eu concordo com essa afirmação até certo ponto, eu
definitivamente não acho que isso é desculpa para se escrever histórias ruins.