segunda-feira, 22 de junho de 2026

Viver É Ser Odiado

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que eu não sou um filósofo, nem tenho autoridade superior a de nenhuma outra pessoa no que se trata viver, e esse post está cheio de anedotas no sentido de falácia lógica, e também achismos. Então, sinta-se livre para discordar do que eu tenho para dizer aqui, mas não espere um tratamento diferente.

Dito isso, você leu o título: viver é ser odiado.

Não importa o que você faça, nem o que você vista, nem o que você diga, vai haver legiões de pessoas por aí que te odeiam. Realmente, inúmeras delas; desde pessoas que meramente te desgostam, até aquelas que genuinamente te desejam os destinos mais cruéis imagináveis, e aparentemente por motivos completamente sem sentido.

Quem nunca viu ou ouviu histórias de pessoas que decidem tirar a vida de um estranho só porque seu carro foi ultrapassado na rua? Quem nunca ouviu histórias de países onde certos cortes de cabelo podem levar a punições severas? Existem exemplos suficientes de pessoas sendo irracionalmente irritadas por coisas tão pequenas que eu podia ficar aqui o dia inteiro listando eles; e nem precisamos falar de países distantes ou casos de TV quando esse é o assunto.

Eu já vi casos de professores de história que foram demitidos por contar história de povos não-brancos, pessoas expulsas de casa por conta de sua sexualidade, já vi um cara sendo atacado porque ele tinha uma borracha cor de rosa, e pessoalmente já me desejaram a morte por dizer que racismo é ruim, por conta das minhas unhas pintadas, por conta do meu cabelo, e até porque eu fiz uma review de um salgadinho de uma marca super pequena.

E a verdade é que, bem como naquele ditado, você não pode agradar todo mundo; o simples ato de você ter a própria vida e as próprias experiências já é o suficiente para provocar a fúria de muita gente. Viver é constantemente ser repudiado por todos os lados e por todas as coisas.

Mas esse post não é uma “black pill”, nem tento convencer ninguém ao pessimismo. Muito pelo contrário, na verdade.

Eu acredito que ser odiado é meramente viver, e da mesma forma como você não deve se sentir culpado ou envergonhado por viver, você não deve se deixar incomodar por esse ódio.

Em outras palavras: você não deve viver sua vida para agradar os outros.

Claro, eu não vou ir tão longe quanto dizer que você deve ir vestindo a camisa do seu partido político para a empresa do seu chefe que se opõe à sua ideologia, muito menos dizer que você pode simplesmente quebrar as regras arbitrárias de uma facção criminosa que controla seu bairro. Vamos ter bom senso, né? A integridade física de uma pessoa deve ser sempre sua prioridade máxima.

E eu também não vou dizer que você deveria ser simplesmente um babaca mal-educado. De novo, tenha bom senso.

Mas o que eu defendo, sim, é que contanto que alguém viva em busca da aprovação das multidões, essa pessoa nunca vai ser feliz. Sempre vai haver pessoas que desgostam das coisas que você gosta, ou que gostam das coisas que você desgosta, é simplesmente a natureza humana.

E enquanto esse pode ser um “conselho,” digamos, muito genérico, me parece que ele é frequentemente malinterpretado. Por exemplo, algumas pessoas se dizem “livres” do julgamento alheio, e confessam seus sonhos de se tornarem "estrelas do pop coerano", ou "venderem um bilhão de livros" com muita confiança, aparentemente inabalados pelas mensagens de ódio que recebem.

Porém, quando paramos para pensar, o que diferencia uma estrela do pop coreano de uma cantora talentosa? Qual a diferença entre o livro que vendeu milhões de unidades e o que não vendeu nada? Será a qualidade da arte? Nesse caso, por que essas pessoas não comentaram que queriam ser excelentes artistas? A resposta é: essas pessoas valorizam a aprovação das massas, implicitamente.

Uma estrela, um best-seller, alguém amado por inúmeras pessoas. Elas indiretamente associam a felicidade com a aprovação alheia, elas cedem seus sonhos às multidões, e as multidões, como já discutimos, sempre vão estar contra o indivíduo.

Contanto que alguém tenha como objetivo a aprovação alheia, não importa quantos livros essa pessoa escreva, ou quantas músicas ela cante e dance, ou realmente faça qualquer outra coisa, ela nunca vai realizar seu sonho. Em vez disso, se tem algo que você realmente gosta, por que não focar-se nesse sentimento, apenas? Se é escrever, ou cantar e dançar, ou fazer exercícios, ou qualquer outra coisa aquilo que te aquece por dentro, te conforta, e põe um sorriso na cara mesmo quando você não está fantasiando com multidões de fãs, aproveite!

Dance mesmo que digam que digam que é ridículo, escreva mesmo que digam que é horrível, faça aquilo que faz você se sentir bem, e o faça sem pensar em ninguém mais.

E quem sabe, talvez, eventualmente, encontres até outros com quem possa compartilhar sua felicidade, em vez de mendigá-la.

...

É, eu sei.

É mais fácil falar do que fazer. Como seres sociais, nossa preocupação com a opinião de nossas “tribos” está escrita em nosso próprio DNA. Ao longo de nossa evolução, isso era questão de vida ou morte, afinal!

Não vou fingir ser um velho eremita sábio das montanhas; eu mesmo frequentemente me pego incomodado por comentários alheios. Sou apenas um tio qualquer da internet: estou muitas vezes errado, e nem sou especialmente talentoso ou inteligente.

Mas eu prefiro acreditar que somos mais do que montes de instintos pré-programados. Acredito que podemos nos adaptar aos tempos modernos, a um mundo de oito bilhões de pessoas em vez de oitenta pessoas. Que, dado o tempo necessário, podemos nos perguntar se o ódio que recebemos faz sentido e é apropriado, que podemos entender que na maioria das vezes não.

Acredito que podemos escolher viver por nós mesmos.

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