Inteligências Artificiais generativas vêm invadindo mais e mais meu espaço de trabalho.
Para quem não sabe, eu sou um ghostwriter freelancer e nos últimos anos o uso de IAs generativas tem se tornado (infelizmente) bastante comum na minha área. Mas não do jeito que crypto-conservadores esperariam, afinal não sou eu quem tem sido “substituído” nesse processo... mas meus clientes.
Infelizmente muitos diretores de projetos indie vêm delegando seu próprio trabalho para uma máquina. Nos últimos meses, recebi uma quantidade desanimadora de avaliações escritas pelo ChatGPT ou Grok ou o que seja; e não digo “desanimadora” pois minha escrita foi criticada, mas porque o feedback é horrível: todos com a mesma linguagem e conclusões genéricas, desimportantes, e às vezes até completamente desconexas do contexto dos projetos.
Aparte as alucinações, sempre são sugeridas um milhão de “correções” irrelevantes e de lógica questionável (como, por exemplo, substituir “disparou” por “correu” ou “saltou” por “pulou” que não mudariam absolutamente nada no texto além de deixá-lo menos poético).
Além disso, devido à forma como esses robôs são programados, eles vão te sugerir modificações literalmente para sempre, a ponto de que eu já tive de provar para alguns clientes, com printscreens, que as correções que eles exigiram estavam “corrigindo” as correções anteriores.
Claro, eu não sou um Luddita antimáquinas, eu mesmo uso serviços como Grammarly ou outros para checar por erros gramaticais o tempo todo, mas qualquer habilidade é sujeita à atrofia se não for constantemente praticada, incluindo o pensamento crítico de um diretor, e acho importante frisar esse ponto atualmente mais do que nunca.
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