Muito se fala de histórias com mensagens genéricas, mas pouco sobre interpretações genéricas de mensagens mais profundas.
Um exemplo disso pode ser encontrado na fandom do meu mangá
favorito de todos os tempos, Houseki no Kuni, uma obra muito simbólica, que interpreto
de forma muito pessoal. Já procurei antes outros pontos de vista sobre ela, e
me vi muito desapontado com o resultado.
Não importa quais links eu abrisse, que postagens eu lesse
ou vídeos eu ouvisse, eu sempre me deparava com aquelas mesmas interpretações
enlatadas, produzidas em massa em alguma fábrica de filosofia superficial em
Hollywood. Você sabe de quais eu estou falando.
Imortalidade é ruim, deixar de ser0020criança é ruim,
destruir um sistema que não funciona é ruim, odiar pessoas que te amam é ruim;
o status-quo é bom, o personagem não está sofrendo na história se seu
tratamento é uma como piada, etc.
Aquelas coisas que você já ouviu um milhão de vezes, e vai
ouvir dez milhões de vezes mais.
E mesmo deixando de lado tudo o que essas mensagens morais
precisamente construídas e aprovadas por elites de cima para baixo significam
no grande esquema das coisas, e toda a parte reflexiva sobre essas mensagens,
elas são CHATAS.
Amigo, de quantas histórias você se lembra onde imortalidade
era algo bom? Só em uma única página sobre uma das múltiplas variações de
“imortalidade é ruim” do site TV tropes, são listadas 127 obras.
Quantas histórias você se lembra onde a solução para um
sistema monárquico absoluto que colocou um rei louco em poder, era apenas
trocar o rei e não mudar nada do sistema? Haviam tantos outros exemplos, que
fiquei com preguiça de conta-los de novo.
Essas lições de moral já foram repetidas tantas inúmeras
vezes que eu sinto que toda vez que eu consumo uma história que a mensagem é
algo assim, eu não consigo impedir um suspiro decepcionado de deixar minha
boca.
Mas essa postagem não é sobre lições de moral genéricas, mas
sobre interpretações genéricas sobre obras com mensagens muito mais profundas e
amplas e diferentes, e isso é especialmente frustrante.
Houseki no Kuni não é um filme enlatado de Hollywood, nem
Berserk, nem as Crônicas de Gelo e Fogo, e nem tantas outras obras por aí que
recebem, infelizmente, o mesmo tratamento padrão de fábrica.
E eu acho que críticos da internet, em especial, deveriam
expandir seu repertório de interpretações para algo além de “morrer é bom” e
“crescer é ruim”...
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