segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O Mistério do Esqueleto: Leitura, Resumo, Review

O que têm nas minhas estantes? Mais ou menos uns 1.100 volumes de livros e histórias em quadrinhos de todos os gêneros; e se você viu minha LISTA DE LIVROS LIDOS, você deve saber que 1.100 é um pouquinho mais do que o número de livros que eu já li. Agora, eu não adquiri essa biblioteca por puro consumismo desenfreado, e sim a fim de abrir um sebo um dia, mas várias coisas aconteceram, e a inauguração dessa loja foi adiada por tempo indeterminado. Enfim, o ponto desse post é que eu decidi selecionar um livro qualquer da minha coleção para ler, e o escolhido da vez foi “O Mistério do Esqueleto” de “Renata Pallottini”.

E essa foi minha experiência com esse livro...


Para começo de conversa, sim, é um volume bem fininho, e esse é um dos principais motivos para eu tê-lo escolhido; não só isso, ele é repleto de ilustrações bem bacanas, a propósito (que devem estar espalhadas por esse post). Afinal, eu não queria investir vários e vários dias nesse projeto.

O livro acompanha um aspirante a soldado da marinha de 20-e-tantos anos que devido a um acidente, perdeu a visão completamente, e com isso também a vontade de viver, chegando até a terminar seu relacionamento com sua noiva, não querendo se tornar um estorvo na vida dela.

                                                           (E esse é seu cão-guia,  "Sargento" :3)

Já de cara eu gostei da caracterização do protagonista; vemos ele organizando e reconhecendo as próprias roupas pelo tato, e coando café com a audição e confessando que se queimou muitas vezes até pegar o jeito.

Mas o enredo começa mesmo quando ele recebe uma ligação da sua ex-noiva o convidando para ir para a praia com uns amigos. E enquanto o protagonista não quer ir no começo, ele acaba aceitando.

Cortamos direto para a viagem até a praia, e aqui eu tenho meu único criticismo: uns 5 personagens são apresentados de uma vez só, e enquanto eu acredito que eles são distintos o suficiente para que você os fixe na memória ao longo da história, essa não é geralmente uma boa prática.

E falando nesses personagens, temos: o chatão rico que trabalha como um misterioso antiquário, o melhor amigo, a namorada do melhor amigo, a ex-noiva do protagonista, e o irmão da ex-noiva do protagonista (e talvez uma terceira garota ou talvez eu esteja viajando; não importa, se ela existe, não é muito significante para esse post, e eu não estou a fim de checar).

Os personagens chegam à praia e se divertem como costumavam fazer no passado; o protagonista até se lembra das árvores altas da mata próxima, da fortaleza que ficava por ali, a qual costumava explorar quando mais novo, e até de uma “Velha” que guiava turistas na região. Eventualmente, o protagonista fica a sós com sua ex-noiva e é evidente que ela ainda gosta dele, mas ele se recusa a aceitar seus sentimentos, orgulhoso demais para ser “cuidado” por ela; ele até diz que, como um cego, não tem mais nada que ele possa fazer com sua vida e é bem triste.

Então, o irmãozinho volta correndo, e ele tem más notícias: o resto do grupo descobriu um cadáver na masmorra de uma fortaleza antiga.

Naturalmente, todo mundo vai investigar, e confirmam o pior: encontram um esqueleto vestindo um uniforme militar, um chapéu, e até uma pistola, tudo muito antigo. E por terem encontrado o esqueleto numa masmorra, assumem que é um soldado português do Brasil colônia... Mas o protagonista acha tudo muito estranho. Ele ainda não consegue colocar em palavras o porquê disso, mas não consegue deixar de se sentir atraído pelo evento.

O grupo recua, e se encontram com um homem suspeito, que acaba sendo o filho da “Velha” que serve de guia para os turistas da fortaleza. Depois, e finalmente sozinhos e longe do morto, param para decidir o que fazer com o esqueleto: alguns querem enterrar o morto (já que, se ele morreu a séculos atrás, não tem ponto algum chamar a polícia), outros querem chamar a polícia mesmo assim... e o chatão quer ROUBAR OS PERTENCES do morto.

Nisso, o melhor amigo briga com o chatão, que aparentemente estava vestindo roupas normais quando todo mundo vestia roupas de banho (lembre-se, o protagonista é cego e não sabia disso). Logo, o grupo faz uma pausa para acalmar os nervos.

E o chatão se aproxima do protagonista pedindo para que ele o ajude a convencer os demais que o deixem roubar o corpo. E em troca? Ele promete não ficar no caminho do protagonista e sua ex-noiva, que ele diz estar apaixonada por ele.

Imediatamente os dois começam a brigar, e o chatão derruba uma medalha de ouro que ele roubou do cadáver. Quando o resto do grupo separa os dois, eles descobrem que a fita da medalha era verde e amarela... ou seja, brasileira, e não portuguesa, como todo o resto do uniforme do esqueleto. Estranho...

O grupo se abriga de uma tempestade repentina na casa da Velha guia, e o protagonista conversa com ela quanto ao seu filho: ele descobre que o homem suspeito era marinheiro, mas sofreu um acidente, se tornou inválido, e depois se desentendeu com sua mulher quanto a um segundo homem que ele pensou estar tendo um caso com ela. A mulher foi embora, e o ex-marinheiro se tornou uma casa vazia, praticamente “morto” segundo a própria mãe...

A tempestade passa, o grupo volta para seus carros e descobre que o chatão roubou um deles. Mas está tudo bem, o protagonista promete. Ele entendeu tudo.

Finalmente, temos a resolução da história: o chatão sabia do cadáver o tempo todo, e planejava roubá-lo desde o início (e é assim que ele conseguia os produtos do seu antiquário, provavelmente),  por isso ele era o único com roupas normais e uma lanterna para explorar a masmorra. Não só isso, o corpo não é de séculos passados, mas sim tão recente quanto um esqueleto pode ser! E o protagonista descobre isso porque o esqueleto vestia um chapéu e possuía uma arma, e por que um prisioneiro teria essas coisas? Não só isso, a medalha era brasileira, e a data de fabricação daquele modelo de arma não batia com a estadia dos portugueses na fortaleza também... ou seja, alguém matou uma pessoa, a vestiu com antiguidades, e a escondeu no forte. E o protagonista sabe exatamente quem.

Foi o filho da Velha guia!

E ele entende seus motivos. O sentimento de invalidez, o ciúme pela mulher que ele pensou não ser mais capaz de manter... e o mal-entendido com um suposto amante. Ele matou o homem que pensou ser o amante de sua ex-esposa, e disfarçou o corpo daquela forma para evitar punição. É claro que o protagonista entende...

Mesmo assim, é só a teoria de um cego, e cabe à polícia investigar o caso. O grupo relata os eventos às autoridades, e o protagonista volta com sua noiva, agora com um senso de valor e visão de mundo renovadas. Fim.

 *

Eu achei uma história muito bacaninha; mesmo eu, que não sou lá grande fã de histórias de investigação criminal, achei bastante fácil de ler e divertida, e gostei bastante do arco de personagem do protagonista e dos paralelos dele com o assassino da história. Dado isso, o histórico da autora com conteúdo infantil e infantojuvenil e o tamanho curto do livro, acho que é uma introdução muito boa ao gênero (porém, por mais que eu tenha gostado da arte, ela é extremamente datada e pode afastar o público mais novo hoje em dia).

Ah, e eu gostaria de apontar também que achei muito legal as referências à Florianópolis e a história brasileira; me lembrou até um pouco da história da “lha de Anhatomirim” na região, cujo nome significa “Pequena Ilha do Diabo” em tupi, que tem uma fortaleza que serviu como prisão, foi palco de um massacre, depois um sanatório, e depois abrigou armas na segunda guerra mundial, antes de ser desativada... ou seja, um lugar bem sinistro.

 

Classificação do livro: bom.

Status: concluído.

 

Por hoje é só, tchau-tchau! :D

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