Não importa o quanto você sofreu, isso não te torna inerentemente uma pessoa boa ou merecedora de qualquer coisa. Na verdade, o orgulho que tantos brasileiros têm por trabalharem 12 horas por dia, ou por nunca pegarem folga, ou por estudarem na hora de dormir não é digno de nada além de pena.
Alguém poderia dizer que o orgulho é tudo que temos, que sem ele essa realidade seria perversa demais para suportar, mas eu não acho que os frutos desse ponto de vista são tão positivos assim, uma vez que, quando se coloca o sofrimento como virtude, as pessoas passam a querer perpetuá-lo. Nenhuma família quer que seus filhos não sejam virtuosos, afinal, não é?
Eles pensam: “Na minha época, eu tinha que acordar às 4 da manhã para ir para o trabalho e apanhar do meu chefe, e isso me torna bom, os outros têm de passar pelo mesmo”.
Esse é o raciocínio de uma pessoa passiva, e extremamente convenientemente para aqueles que infligem tal sofrimento.
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