“Ninguém hoje em dia quer mais saber de ler, só de ficar no celular!”, dizem. Mas quando alguém demonstra interesse em qualquer literatura que não seja clássica, esses reclamões são os primeiros a atirarem pedras.
Esses dias eu vi um vídeo onde o apresentador discursa sobre os baixos números de leitores no Brasil, o que é sim algo pertinente, mas eu não pude deixar de notar que tanto o apresentador quanto seu público davam tanta ênfase à literatura clássica, enquanto reclamavam muito de livros nacionais mais pop ou voltados ao mercado. E eu acho que essa é uma atitude, na verdade, altamente contraprodutiva, se o sonho dessas pessoas é viver no Brasil que lê.
Quase todo mundo tem uma história onde um professor de português super chato forçou os alunos a lerem um clássico muito massante e desconectado de sua realidade, que fez todo mundo acreditar que aquilo é o auge da literatura e que todo o resto é tão pior. Um professor que formou uma sala inteira de 30 pessoas que nunca mais pegarão num livro. Eu sei que já passei por situações parecidas.
Mas isso é um erro.
Ler é uma atividade que exige o esforço consciente do leitor, de sua imaginação, paciência, algo que exige tempo e desenvolvimento de rotina. Forçar pessoas com pouca experiência de leitura a não apenas lerem somente os clássicos, mas dizer que elas têm a obrigação de gostar deles e rejeitar o “lixo popular”, é como forçar um leigo a correr uma maratona e ainda te agradecer. Claro, aqueles com alguma predisposição vão terminar e até gostar, mas esses sempre vão ser uma minoria.
A ilusão de que histórias em quadrinho, light novels, fanfics, ou livros pop são algum tipo de veneno literário é uma mentira elitista que serve apenas para manter o clube de leitores do Brasil pequeno, fechado e com as chaves na mão da alta sociedade.
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