Guerra A Ruína - Capítulo: 26

Capítulo: 26

Álex


 Você está com barba.  Apontou Miranda, sorrindo.  Não fica bem em você.

— Bem, você também não está em suas melhores condições.  Retrucou Álex, brincando, apesar de que o que falara também ser um fato.

Passavam a maior parte do tempo andando em silêncio, preocupados em conseguir comida, água ou abrigo para o dia em questão, concentrados no presente, no máximo indicando um riacho ali, ou uma fruta ou cobra aqui, logo uma brincadeira ou uma conversa simples pareciam lembranças agradáveis e distantes, uma forma de apoiarem-se um ao outro.

Comida já não era mais um problema, após tanto tempo na selva os dois já haviam se acostumado a caçar e coletar. Uma vez que o braço de Álex já estava consideravelmente melhor, embora ainda preso em sua tala, Miranda voltou a poder usar sua magia livremente, sem precisar reservar suas forças para tratar de seu amigo, assim matando pequenos animais facilmente. O rapaz compensou também aprendendo a conjurar animais capazes de escalar, para assim coletar frutas e ovos nos altos das árvores (descobrindo assim que conjurar animais era realmente mais útil do que jamais imaginara).

Ambos estavam com uma aparência muito melhor que antes, já sem as olheiras, mais pesados e não mais temendo um repentino ataque do grifo a todo instante, uma vez que fazia tempos que não escutavam seu piado, a marca do monstro e o prenúncio de morte, embora ainda vagando perdidos pela floresta, com os cabelos mais compridos e emaranhados, sujos e fedorentos, e com as roupas desgastadas, estas sendo apenas sombras do que um dia já foram, mesmo o chapéu cônico, o uniforme do Grêmio que antes brilhava em negro, então apenas uma massa cinzenta e repleta de arranhões.

— Ei, isso não é algo para se falar a uma dama! — Respondeu Miranda, fingindo-se zangada.

— Ainda bem que não há nenhuma dama aqui, não é mesmo?

— Seu babaca, você está ferrado!  Disse a lebromem em resposta à brincadeira de Álex, disparando atrás do rapaz, que fugia correndo o mais rápido que conseguia naquele terreno (o que não era muito), pulando por sobre as raízes e pedras e deslizando por pequenas ladeiras. — Volta aqui!

Dias atrás, haviam decidido por fim seguir um rio, deixando de rumar para o norte usando da bússola de Álex, na esperança de depararem-se com uma cidade ou, ao menos, deixarem com maior rapidez a mata fechada. Não fora difícil encontrar o fluxo de água ali, mas logo este juntou-se a um outro, que juntou-se a outro e a outro e, por sua vez, a outro, ficando assim cada vez maior, mais profundo, largo, veloz e barulhento.

— Te peguei!  Gritou Miranda, jogando-se contra Álex, pressionando-o contra uma árvore, ambos já ofegantes da brincadeira, suados, corados e ainda rindo.

— Não é justo pressionar alguém ferido assim.  Retrucou o rapaz, indicando seu braço com um meneio com a cabeça.

— Como eu sou uma amável dama, se você pedir desculpas, eu posso considerar te liberar.  Respondeu a garota, erguendo seu queixo com um sorriso presunçoso em seus lábios.

Ao mesmo tempo em que Álex tinha uma barba rala, seu precioso topete estava num emaranhado de nós, endurecido pela sujeira, e sua pele já coberta por muitas camadas de pó e suor, nenhum dos dois jovens atrevendo-se a entrar no rio para banharem-se, afinal, eram cada vez mais raros, mas os piados ainda estavam ali, e outros animais perigosos e monstros eram abundantes naquelas águas também, além de que, naquele ponto, a correnteza já era forte demais para arriscarem-se a adentrá-la. Miranda encontrava-se tão conservada quanto Álex, mesmo que ainda no Grêmio sua aparência fosse apenas mediana. E ainda assim, aos olhos do garoto, naquele momento, ela parecia- lhe simplesmente linda, suas bochechas rosadas pelo esforço, suas roupas grudadas à pele ressaltando-lhe suas curvas.

A garota ofegava da perseguição, levemente corada, com os cabelos compridos arrepiados e o grande sorriso arrogante enquanto empinava o nariz, a luz do sol atingindo-lhe o rosto sujo. Os jovens encararam-se, olhando um no fundo dos olhos do outro, quando enfim  Álex perguntou:

— Eu devo? ...Pedir desculpas, eu digo.

Miranda já estava menos ofegante, recuperando-se da curta perseguição, porém a vermelhidão de sua face apenas intensificava-se, seu sorriso deformando-se em constrangimento, quando a lebromem puxou a aba do chapéu para baixo, escondendo seus olhos, soltando Álex, virando o rosto e respondendo o rapaz:

— Deve...

Álex já estava prestes a perguntar "por que?", quando a lebromem tornou a olhar em sua direção e apontou, sua expressão, de sobrancelhas arqueadas e olhos arregalados, sua voz perturbada, gaguejante, indicando sua perplexidade enquanto falava:

— Aquilo é... é... UMA CIDADE!?

Já tinham chegado, nos poucos minutos de perseguição, ainda que até então não tivessem percebido, ao topo de uma colina. Não era uma elevação muito alta, porém o suficiente para dar aos jovens a visão da extensa e plana campina à frente. A orla da floresta não estava a mais de cinquenta metros adiante, logo em seguida dando espaço para o espaço gramado desprovido de árvores que estendia-se de ambos os lados do grande rio, que seguia até muito longe, para além da vista, continuamente seu fluxo de água sendo encorpado por outros rios e riachos e regatos vindos da floresta, que cortavam a campina em muitas ilhas, seguindo como veias pulsantes através de um corpo, o descampado, até tudo juntar-se numa única correnteza. E ainda, lá à frente, próximo ao horizonte, apenas uma mancha a olhos desatentos, mas clara, uma visão esperançosa para aqueles que encontravam-se presos na floresta há tanto tempo, erguendo-se opaca, verde e cinzenta, imponente: uma muralha.

Apesar de não conseguirem ver detalhadamente a estrutura, sem perceber nenhum portão daquele lado da muralha àquela distância, os jovens tinham certeza de que aquilo era uma muralha, afinal, não parecia realmente haver uma razão para construírem um portão voltado para a floresta, provavelmente existia uma estrada noutro lado e lá uma entrada a cidade.

— Sim.  Respondeu o rapaz, quase sem acreditar no que dizia ou observava, por um segundo parecendo-lhe que aquilo tudo era apenas um sonho. — Sim! SIM, É UMA CIDADE!  Tornou a responder, então sem conseguir conter o sorriso, saltando e comemorando.

Então o piado soou novamente, ecoando por sobre as copas das árvores, as águas do rio e o extenso gramado da planície descampada adiante, penetrando na carne dos jovens e fazendo-os estremecer.

— O que?  Perguntou Miranda, apoiando-se no tronco de uma árvore.  Nós já não deveríamos ter deixado esta coisa para trás?

— Talvez tenhamos apenas dado sorte e desviado um pouco de seu terreno de caça. — Respondeu Álex, fechando o punho bom, percebendo que aquilo ainda não havia acabado.  Seguiremos ao crepúsculo. Estas criaturas costumam retornar a seus ninhos a esta hora, afinal...

Esperar anoitecer enquanto tinham a cidade a vista, a apenas alguns quilômetros em linha reta, os jovens tendo de conterem-se próximos à orla da floresta, fora a parte mais difícil até então, mas finalmente chegara a hora: o sol se punha ao oeste, as sombras esticaram-se e engoliram a tudo e o piado, a marca do monstro assassino, cessou-se. Caminhariam.

Enquanto deixavam para trás aquela mata e o desespero que nela passaram, as lembranças do ataque à caravana voltaram frescas à memória de ambos e as dificuldades que passaram desde então também, os jovens lembrando-se das cenas como sendo surpreendentemente detalhadas, Álex perguntando-se como podia ter suportado, terem adaptado-se aquele lugar, como podia estar brincando com Miranda a apenas algumas horas, quando, dias atrás, viu seus amigos serem mortos à sua frente? Álex sabia como. Mas ainda não era hora de pensar nisso, ela chegaria logo, mas ainda não, ainda tinha de concentrar-se em seguir em frente, não podia pensar no que acontecera antes, não podia refletir sobre tudo, sobre si.

— Vamos. — Disse o rapaz, levantando-se e dando o primeiro passo sobre a grama baixa da campina, determinado.

Além do encontro inesperado com o hipocampo, a fome e os desconfortáveis abrigos improvisados, os jovens, na floresta, haviam passado por muitas outras complicações. Álex, certa vez, pisara num grande formigueiro cujos insetos eram enormes e suas mordidas extremamente dolorosas, as formigas deixando sua perna direita num estado que incapacitou-o de andar por dois dias, a cada pulsação latejante, uma extrema dor percorrendo-lhe as picadas que incharam-lhe a perna e deixaram-na com uma roxidão assustadora; noutra vez, Álex acordou com uma enorme serpente enrolando-se em seu corpo, imobilizando-o com uma força tremenda, fazendo o garoto berrar de dor enquanto o réptil contorcia-se contra seu braço ferido; e acontecera também de Miranda afundar-se até os ombros numa poça de areia movediça, ficando um dia inteiro presa nela até que, finalmente, com a ajuda de seu amigo, conseguiu sair daquela armadilha natural. Mas tudo finalmente chegaria ao fim.

A cidade aproximava-se a cada passo dos jovens, sua imagem tornando-se cada vez mais nítida, os maus bocados pelos quais Álex e Miranda passaram ficando cada vez mais distantes, a esperança de uma cama de verdade, comida temperada e quente e o conforto de poderem dormir sem se preocuparem com monstros e animais selvagens iluminando o futuro próximo... Até que num sibilo, como o de uma flecha cortando o ar, como o de uma bola de canhão aproximando-se, ressoou, seguido pelo típico, perverso e arrepiante piado, o grifo caindo novamente sobre os jovens, vindo dos céus noturnos num rasante mortal enquanto apontando suas garras afiadas a suas presas.

— ABAIXE-SE! — Berrou Miranda, conjurando um feitiço em seu corpo, saltando em direção ao garoto e derrubando-o no chão, salvando-o por um triz da morte certa, cujo seu espectro alado passou no instante seguinte por onde antes encontrava-se o garoto de pé, cortando o ar com suas garras, suas armas naturais, enquanto piando seu grito de morte.

Levantando sua cabeça do chão, Álex viu o grifo retomar altitude após o rasante falho contra seu alvo, batendo suas grandes asas e dando meia volta no ar.

— Mas que merda, não era para você estar acordado agora! — Gritou Álex, lágrimas carregadas de raiva, medo, desespero e frustração por saber que estava tão próximo da salvação, por ter seu conhecimento sobre os monstros contrariado pelo grifo da Montanha Perdida enchendo-lhe os olhos.

— Continue a correr! — Indicou Miranda, pondo o rapaz de pé e disparando pela campina enquanto o monstro preparava outra investida, girando nos ares e piando novamente.

O rapaz, dessa vez, não pensou duas vezes em fugir ou sentiu suas pernas fraquejarem, vendo sua vida dependendo daquilo, seguindo a toda velocidade, correndo mais rápido do que jamais fizera em sua vida, mais rápido do que imaginara-se capaz de fazer, ficando lado a lado de Miranda, arrancando a grama a cada passo, espalhando a água das poças e regatos que cobriam aquele lugar com os pés e ignorando todas as dores e o cansaço do corpo. Mas, ainda assim, não podia fugir do monstro apenas com aquilo.

Com uma rápida série de bater de asas, o grifo já recompunha-se no voo e caía novamente contra os dois, esticando as garras de águia das patas dianteiras e pondo as garras de felino para fora das patas traseiras, todas aquelas muitas lâminas mortais voltadas para ambos os jovens, o monstro sendo grande o bastante para atingir Álex e Miranda ao mesmo tempo. E, mais uma vez, quando estava a apenas alguns centímetros de acertar suas presas, o grifo viu-se cortando apenas o ar.

Dessa vez, a lebromem, segurando seu amigo e saltando, usando de sua magia para isso, voou metros para cima, desviando-se de mais uma investida que, de outra forma, teria sido fatal, enquanto fitava o grifo passar por sob si e Álex, o monstro mostrando-se perplexo por alguns instantes enquanto procurava por suas presas que haviam desaparecido de repente.

Miranda não esperou o grifo orientar-se e, uma vez que sentiu o chão sob seus pés novamente, ainda segurando Álex e usando do feitiço que conjurara em seu corpo, disparou adiante, correndo tão rápido quanto o monstro era capaz de voar, deixando o chão gramado, iluminado apenas por Valor e Valentia, as gotas d'água na folhas refletindo aquele brilho azul pálido das luas, passar sob si como um borrão verde acinzentado, o ar zunindo em seus ouvidos como se um milhão de flechas sibilassem a centímetros de sua cabeça, a garota sequer dando atenção aos músculos de suas pernas, que gritavam de dor e esforçavam-se além do máximo, a cada passo seu a grama sob seus pés sendo obliterada junto da sola bota de couro que usava.

Em meros segundos, Miranda havia percorrido dezenas e dezenas de metros, conseguindo-se manter adiante do monstro, que piava enraivecido e frustrado com sua presa, ainda perseguindo aqueles jovens, então ainda mais determinado em abate-los do que nunca. Porém, aquele feitiço não era algo tão simples de se conjurar e, além de exigir muito da reserva de magia da garota, forçava o corpo dela a níveis sobrenaturais de ímpeto e intensidade que poderiam, até mesmo, serem fatais, e logo ela começou a sentir o peso de seu esforço, cada centímetro de seu corpo implorando por descanso, sua reserva mágica quase no fim, suas pálpebras pesando e sua consciência esvaindo-se, Miranda sentindo-se prestes a ceder e desmaiar ali mesmo, ela perdendo velocidade muito rapidamente, o grifo, presunçoso, voltando a alcança-los.

A lebromem então finalmente perdeu todas as suas forças e caiu ao chão, desmaiada, levando consigo Álex, ambos rolando pelo gramado por metros, perdendo a noção de cima e baixo, atordoando-se.

O grifo aproximou-se noutro rasante, dessa vez seu piado soando quase como uma cruel risada de triunfo, enquanto Álex apoiava-se em seus cotovelos, tentando desesperadamente levantar-se mas sempre voltando ao chão. Percebendo então a perigosa proximidade do monstro, desistindo de levantar-se, focando-se apenas em manter-se vivo, o rapaz conjurou num instante a explosão azul iluminando a campina noturna em labaredas místicas que deram forma à criatura: um ciclope.

A marionete, o ciclope, possuía um corpo musculoso, tendo quatro braços e quatro metros de altura, um único olho vertical no centro da testa e três chifres no topo da cabeça. Não houve relutância quando o grifo aproximou-se o suficiente de suas presas, sendo então distraído pela repentina conjuração, e o ciclope deferiu-lhe, com os quatro braços ao mesmo tempo, socos, seus punhos atingindo em cheio contra o monstro, golpes que, a força da criatura conjurada somada com a velocidade com que o grifo atirou-se em seu ataque, chegaram a esmigalhar todos os punhos de rocha do ciclope, destruindo completamente os braços da marionete até o cotovelo.

Após os golpes ainda, o grifo chocou-se contra o peito do ciclope, estilhaçando o resto da marionete numa explosão de fragmentos que desfizeram-se em partículas azuis luminescentes, o monstro caindo ao chão e rolando logo em seguida levantando uma nuvem de água e grama, aparentemente inconsciente.

Houve um momento de silêncio após o repentino duelo, o grifo parado, sangue pingando de uma centena de ferimentos por todo seu corpo, manchando suas penas de vermelho, e Álex fitando o monstro, também imóvel, esperando por... qualquer coisa.

Álex já quase suspirava de alívio, mas não demorou para o grifo reabrir seus olhos, levantando-se cambaleante e com dificuldades, piando um som odioso, invocando todas as pragas de sua língua de pássaro monstro, sua dor e ira ecoando pela planície gramada e proclamando uma jura de morte para aquelas presas obstinadas.

— NÃO! NÃO! — Gritou Álex, rastejando de costas até o corpo inconsciente de Miranda, a raiva tomando conta de cada canto obscuro de sua mente, subjulgando até mesmo o medo, vendo mais uma vez a esperança lhe sendo arrancada. — MORRA! MORRA DE UMA VEZ, PORRA!

O monstro tinha uma das asas quebradas, assim sendo incapacitado de voar, forçado a perseguir os jovens na corrida. Não importava, ainda era mais rápido do que eles, ainda mais agora que a garota já não mais podia carregar o garoto. Disparando num salto contra Álex, que já alcançava Miranda, o grifo preparou-se para o ataque, alcançando suas presas em três largas e rápidas passadas, jogando suas garras contra o rapaz e... já pela terceira vez a nada acertando, sendo deixado para trás, observando os jovens escaparem montados num cavalo, Álex segurando Miranda ainda inconsciente enquanto, ao mesmo tempo, reclinava-se no pescoço do animal que conjurara.

Foi-se então retomada a perseguição, o grifo, mais irado que nunca, seus olhos de vasos sanguíneos saltados vidrados nos jovens, enquanto correndo atrás do cavalo conjurado e de suas presas, que montavam no animal, trotando a toda a velocidade.

Para a infelicidade de Álex, que tinha de concentrar-se com tudo em seu feitiço, controlando a marionete, o cavalo, sentindo sua reserva mágica esgotando-se, a distância entre a presa e o predador não diminuía, o grifo ensandecido e incansável, piando e correndo logo atrás dos jovens. Ainda assim, a muralha da cidade aproximava-se cada vez mais, os merlões já todos visíveis, as torres e também os guardas, estes que aglomeravam-se ao longe como pequenos pontinhos negros. Faltava pouco, muito pouco, apenas cerca de mais uns trezentos metros e estariam todos dentro do alcance dos atiradores da cidade, o garoto sabia que só tinha de guiá-los, a ele e Miranda, até lá e tudo seria resolvido numa chuva de disparos contra o monstro, o grifo sendo então abatido pela guarda. Mas o monstro também sabia disso.

Num último e veloz impulso repentino, com um golpe na pata traseira do cavalo, o monstro derrubou a marionete, que esmigalhou-se contra o chão em milhões de cacos de rocha que desfizeram-se no ar, voltando a sere apenas a magia no ambiente. Álex e Miranda caíram e rolaram na grama, afastando-se um do outro. O monstro, percebendo a impotência da garota desmaiada, focou-se então em abater primeiro o rapaz, o grifo percebendo então que não era o único ali que sentia o sangue ferver-lhe a cabeça, como se o calor da batalha o enfeitiçasse.

Álex, ainda girando no ar, antes mesmo de alcançar o chão, conjurara mais um feitiço, sem desistir de sua vida ou da de sua amiga, determinado, uma vez que sabia que não conseguiria mais alcançar a muralha a tempo, em, ao menos, machucar o máximo possível aquele maldito e infernal monstro. Os acontecimentos que seguiram-se a isto foram tomaram apenas ínfimos instantes, míseros segundos, estes que decidiriam o futuro dos jovens e do monstro.

O grifo saltava contra Álex, que ainda caía, já conjurando uma terceira criatura, usando do resto de sua reserva mágica: um esqueleto humanoide comum (a mais simples das criaturas conjuráveis e a primeira a ser estudada nas aulas de Marionetismo). O esqueleto desferiu, ainda antes de ter sido completamente conjurado, um soco cruzado de direita contra a face do grifo, que, ao mesmo tempo que era atacado, atacou, derrubando o esqueleto, passando por cima de Álex.

O garoto, a um centímetro do chão, vendo o monstro destruir o esqueleto, então, arriscando tudo de uma vez, fez com que a criatura conjurada segurasse o grifo com todas as forças e, já prestes a perder a consciência, conjurou um outro feitiço, uma outra marionete, enquanto já controlava o esqueleto. Jamais havia feito isso antes, controlar duas criaturas conjuradas ao mesmo tempo era como dividir sua consciência para ter três corpos e movê-los todos em sincronia, algo que apenas os mais experientes eram capazes. Algo que ele ainda não conseguia.

O esqueleto desfez-se nas típicas e brilhantes partículas azuis de magia, libertando o grifo, que, imediatamente, voltou-se contra Álex, jogando suas garras contra a face do rapaz, que protegeu-se com o antebraço numa desesperada tentativa de defender-se. De fato, desesperada e inútil.

As garras do monstro eram afiadas e cortaram através de sua pele, músculo e ossos, como uma faca quente contra a manteiga, abrindo caminho pelo membro até quase sua outra extremidade, quase torando-o fora, até o monstro vir-se decapitado, sua cabeça sendo torada fora por uma pesada lâmina de machado, esta empunhada  pelo  cavaleiro  sem cabeça que Álex Conjurara.

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