Capítulo: 18
Azai
Durante o dia, sem o frenesi da batalha, tornava-se mais evidente a importância daquele ponto como posto avançado. Ao oeste do vilarejo, atrás da casa do ancião (o velho que administrava o lugar havia sido morto, uma vez que o povo fora subjugado e os soldados perceberam que ele não serviria como escravo, o homem perdendo toda a utilidade), depois de um outro portão, um caminho seguia para baixo, curvando-se à esquerda, e ainda depois à direita, em zigue-zague por muitos e muitos metros a encosta da Cordilheira Gris, porém, diferente da trilha pela qual Azai e sua tropa subiram, o caminho deste lado das montanhas era largo, o suficiente para, até mesmo, uma carroça por ele seguir tranquilamente, e não muito inclinado, pedregoso ou esburacado para as montarias.
Ainda, num dia claro como aquele, dava-se de ver uma planície estendendo-se por intermináveis quilômetros aos pés da cordilheira. Os crasírianos deveriam ter enviado apenas aqueles poucos soldados e construído o muro baixo na pressa de fortificar o lugar, temendo que, se fosse posto em marcha um grupo muito grande, talvez fosse tarde demais quando chegassem.
O vilarejo ficava entre uma grande passagem de tropas e suprimentos, que poderia servir tanto para os namorianos, quanto para os crasirianos, e podia servir como uma barreira para contra os inimigos, se bem guarnecido, como Noah, o Maioral-Mor responsável pelas tropas que foram enviadas para assentarem-se no local, estava garantindo.
Os soldados de Noah seguiam numa fileira indiana, pelo menos setenta deles, e tantos outros burros com os lombos carregados de suprimentos, vinham estrada afora, por trás da grande rocha e entrando na cidade, por cima dos restos dos portões destruídos, pelo leste. Muitos já haviam chegado e o Maioral-Mor responsável por aquelas tropas, já havia os dividido em grupos e dado suas tarefas. Um primeiro grupo cavava um fosso seco ao redor do vilarejo, em frente ao muro, um segundo construía torres de vigia, quatro delas, uma em cada extremidade da muralha, usando a madeira da floresta retorcida, que minguava rapidamente com as machadadas que tiravam-lhe a lenha e o material de construção necessário aos novos gerentes do vilarejo, um terceiro fora incumbido de queimar os mortos e trabalhar num novo portão, e o último grupo certificava-se de contar a comida, verificar os poços d'água e separar a taxa real dos espólios ali obtidos, empilhando-os no centro da vila, sobre uma mesa ali posta.
Sentado por trás desta mesa ao centro do vilarejo, depois de uma bufadela, o Cobrador-de-Guerra, olhando por cima do longo nariz, por de trás dos óculos (um acessório considerado um verdadeiro luxo, diga-se de passagem), contando os espólios separados, em sua maioria peles de pequenos animais, anéis e correntes de ferro ou cobre, algumas moedas crasirianas, cumbucas, tigelas e copos artesanais, um pouco de prata e vinho barato, zombou:
— Há aqui uma grande fartura, eu vejo... — Revirando o tesouro da vila com as pontas de seus dedos repletos de anéis brilhantes, continuou: — Apenas quinquilharias rústicas e sem valor de um povo primitivo. — Suspirando, completou o homem, o elfo narigudo, dando início ao que os homens de Azai, e ele próprio, esperavam: a venda de prisioneiros: — Certo, vejo que não haverá grande glória para nosso grandioso rei aqui, tragam logo suas mercadorias!
Naturalmente, a tropa de Azai tinha o direito de tomar para si quaisquer itens ou prisioneiros, fosse a fim de tomá-los para si como escravos ou vendê-los, o chamado "Direito de Saque", se assim desejassem, porém podiam apenas ficar com o que conseguiam carregar consigo, enquanto aos escravos, poderiam levar cada um dos soldados de baixa patente apenas um, ou dois, se forem de Maiorais até Comandantes, e dez, se seus cargos fossem de qualquer patente acima deste. Todo o restante pertencia ao rei, e quem vinha coletar estes restos eram os Coletores-De-Guerra (que, em tempos de paz, eram apenas coletores de impostos comuns). Como não era realmente sensato para os soldados carregarem seus escravos e itens por aí, que tendiam a aumentar em quantidade a cada vitória, o Cobrador-de-Guerra disponibilizava também um serviço de compra destas mercadorias.
— Dois homens jovens fortes, ouro e prata. — Anunciou Azai, cujos homens não fizeram objeções quanto a ele ser o primeiro a vender os prisioneiros pelo respeito que tinham por ele.
— É, é, sei, todos sempre dizem isto. — Desdenhou o elfo narigudo, examinando os prisioneiros, em seguida desviando sua atenção aos anéis, colares, brincos e tiaras que o Maioral-Mor pôs à sua frente, mordendo-os, fitando-os longamente e pesando-os com uma balança que estava a seu lado. Tirando de uma bolsa presa ao cinto, o homem contou as moedas e empurrou-as pela mesa até Azai, anunciando o preço ao qual estava disposto a pagar: — Sessenta dotes.
— Oitenta. — Retrucou o Maioral-Mor, sem dar sinal de pegar as moedas sobre a mesa, encarando o elfo, zangado com o preço que lhe fora oferecido.
Sem demonstrar qualquer sinal de que iria ceder, o Cobrador-de-Guerra respondeu-lhe:
— Um é uma harpia, e alados fogem muito facilmente, a não ser que quebrem suas asas, mas, nesse caso, por que alguém iria querê-lo? Outro é um sátiro, se dão bem nas montanhas e em terrenos rochosos, mas, adivinha! Não construímos nossas cidades em montanhas. Quanto a este "ouro e prata" bem, os metais têm em si algum valor (apesar de estar em pequena quantidade e sem dúvidas ter sido demais misturado a outros) mas a forma como foram trabalhados é simplesmente tosca. O rei terá de derretê-los para obter qualquer lucro. — Zombeteiro, tirando mais uma única moeda de sua bolsa e deslizando-a, vagarosamente pela superfície da madeira, encarando o olhar do Maioral-Mor, concluiu o elfo narigudo: — Em consideração ao seu bom trabalho aqui como líder e à minha própria compaixão, aumentarei a oferta para sessenta e um.
Por um momento, Azai relutou em pegar o dinheiro, seriamente tentado a quebrar aquele cumprido nariz com um soco bem dado, mas suspirou e decidiu que aquilo era o máximo que podia conseguir com aquele Cobrador-de-Guerra, o Maioral- Mor guardando então as moedas no bolso e deixando o elfo narigudo para trás, passando pelos seus subordinados, que aguardavam em fila em frente à mesa junto a seus prisioneiros e itens saqueados. Alguns traziam apenas os itens saqueados ao Cobrador- de-Guerra, optando por ter alguém a montar suas tendas por si, a polir suas armaduras e carregar seus equipamentos. Na maioria das vezes, escolhiam as mulheres para isso, tanto pelo menor risco de fuga ou ataque, quanto para economizar alguns dotes com prostitutas durante a guerra.
Não demorou muito para o Maioral-Mor cruzar o vilarejo até a casa do ancião, o maior edifício do lugar, uma construção baixa de madeira e com teto de palha, como todas as outras da vila, porém larga, construída no formato de um "U", as extremidades e a entrada voltadas para o oeste. Lá dentro, a lareira estava acesa, o frio preso do lado de fora, e alguns soldados aproveitavam seu intervalo descansando, conversando, comendo, cantando ou jogando.
Além dos dois Maiorais e dos dois Maiorais-Mor que ocupavam o vilarejo, os homens de Azai estavam instalados ali também, uma recompensa para aqueles que cumpriram com êxito sua missão, e, conforme iam vendendo seus prisioneiros, entravam também na casa, bufando e praguejando, amaldiçoando o Cobrador-de-Guerra de todas as formas. Tadeo não foi exceção.
— Esse mão de vaca, comedor de bosta! Como assim quinze dotes?! Faça-me um favor, estes Coletores-de-Guerra... — Comentou o tigromem, tirando um baralho do bolso e sentando-se em frente do amigo, que desfrutava de uma caneca cheia de vinho.
— Bem, alguém deve fazer este trabalho, da mesma forma como nós devemos fazer o nosso, todos cumprindo seu papel para com o reino e com o próprio rei, glorioso seja este. — Retrucou o Maioral-Mor, escondendo, um tanto envergonhado, a raiva que sentia, não apenas do elfo narigudo, mas de todos os Coletores-de-Guerra, como qualquer outro soldado, por um segundo perguntando-se se eles deveriam mesmo serem tão avarentos, mesmo que em nome do rei. Tadeo embaralhou as cartas e as colocou em frente a seu amigo, Azai, que dividiu o baralho ao meio e os juntou novamente, embaralhando-o ainda mais. — Não os culpe por isso.
— Certo, então estes pão-duros estão apenas seguindo as ordens do rei, como nós fazemos, mas, neste caso, o rei não está sendo sovina demais? Quinze dotes? Pelos deuses, estamos arriscando nossas vidas pelas palavras dele... — Reclamou Tadeo, tirando do baralho três cartas, sua mão, e entregando a Azai outras três cartas, em seguida tirando do centro do baralho mais uma carta e virando-a sobre a mesa, deixando-a com o número e a figura virada para cima.
Com um olhar reprovador e um tom sério, Azai repreendeu o amigo, de forma que deixava claro que não estava apenas brincando:
— Qualquer ofensa ao nosso digníssimo soberano é um crime grave, Tadeo.
— Perdoe-me, senhor Maioral-Mor, ofendi vossa majestade, o rei, e reconheço que errei em um momento de tolice. Imploro por perdão em nome dos Deuses e das Santas. — Disse Tadeo encarando o imponente olhar do Maioral-Mor, o tigromem levantando-se e batendo continência enquanto falava, sua voz soando como se recitasse a uma reza, um discurso decorado ou uma fala que já repetira muitas vezes antes. E de fato o fizera. Azai sempre fora um sério patriota, mas desde o início da guerra vinha-se mostrando ainda mais rígido quanto às suas doutrinas.
— Está perdoado. — Respondeu o Maioral-Mor, finalmente pegando as três cartas entregues pelo amigo, que tornava a sentar-se, vendo pela primeira vez sua mão. Não pode deixar de suspirar ao conferir a carta virada na mesa, sua última esperança, e ver que não possuía qualquer coisa decente em mãos.
— Ei, vocês ouviram quanto aos boatos da "torre de ossos"? — Perguntou Caleb, sentando-se então de repente ao lado de Tadeo, entusiasmado, segurando uma cumbuca de sopa numa mão e gesticulando com a outra, que segurava uma colher.
— Quem aqui ainda não ouviu sobre essa tolice? — Retrucou Jéssica, sentando-se o mais distante possível do íncubos, ao lado de Miguel, que acompanhava-a.
— Bem, se é algo tão idiota, você, com certeza, pode nos dizer o que é, não? — Tornou a perguntar Caleb, sem conseguir ignorar a provocação de Jéssica.
— Um ninho de um grifo macho. — Respondeu Miguel, que, apesar de impassível, sua voz carregada de uma certeza inquestionável, sem qualquer relutância.
— Grifo?! Então nós vamos enfrentar o monstro! — Disse o íncubos, sorrindo abobalhado, divertindo-se com a perspectiva.
— Irmão... — Comentou Tiago, suspirando, sentando-se então ao lado de Caleb, descansando sua cumbuca de sopa na mesa.
— Francamente, as vezes eu sinto pena de você, Tiago. — Apontou Jéssica.
— Jéssica, sua...!
— É verdade, monstros não são brincadeira. — Concordou Miguel, inocente as provocações da companheira, importunando o íncubos sem sequer dar-se conta.
- Francamente, não coloquem mais lenha na fogueira ou eu ficarei realmente irritado! — Disse Azai, parando a discussão antes que tomasse rumos mais graves, percebendo que o constrangimento de Caleb rapidamente transformava-se em fúria. — Pelos Deuses e Santas, onde esta Benjamim nessas horas?
— Dormindo muito provavelmente. — Respondeu Tadeo, sorrindo. — Ele aproveitou muito bem os espólios que conseguiu na adega do ancião, afinal.
— Só espero que não esteja com dor de cabeça demais para a próxima missão. — Comentou o Maioral-Mor, suspirando.
— Nossa próxima missão... esta que deve ser matar o grifo, não? — Perguntou Caleb, insistente.
— Não, na verdade, é provável que não encontremos o monstro, afinal, duvido que ele ainda viva lá. — Respondeu Miguel.
— Por que? — Perguntou Caleb.
— Porque nossa briguinha, a tomada do vilarejo, fora o suficiente para espantar qualquer monstro num raio de quilômetros, provavelmente para nunca mais voltarem. — Respondeu Jéssica, pondo-se a observar o jogo de seus superiores, abafando o riso ao ver as cartas na mão de Azai. — E ainda há muitas outras batalhas acontecendo ao longo de toda a cordilheira. O grifo deve ter se refugiado para o interior do continente enquanto fugindo dos nossos conflitos.
— Mas e quanto a sua esposa? — Perguntou o Maioral-Mor a Tadeo, de repente, tendo de desviar sua atenção da reação da cintilante quanto a sua mão. — Agora você não deveria estar pagando aquele "mão-de-vaca, comedor de bosta" para enviar-lhe uma carta ao invés de estar aqui, jogando cartas?
— ...Eram trinta dotes. — Respondeu Tadeo, secamente, Azai compreendendo então a raiva do amigo. Pensou em oferecer o dinheiro ao tigromem, mas conhecia-o muito bem, sabia que assim o ofenderia. O Maioral-Mor, porém, não sentiu-se culpado ao exigir desculpas de Tadeo quanto a suas tolas palavras, era seu dever como um soldado do rei, afinal. — Parando para pensar, você não acha que todos aqueles chacais- monarcas e cavalos são inúteis aqui? Digo, a única passagem disponível para eles é o estreito e enviar qualquer um para lá é, praticamente, condena-lo a morte nas mãos dos inimigos. — Apontou Tadeo, desviando-se do assunto. O tigromem virou sua primeira carta, sorrindo quando o Maioral-Mor falhou em vencê-lo na primeira rodada.
Azai podia ver em seus olhos que Tadeo poderia também levar a próxima rodada. Enquanto tentando bolar uma estratégia para vencer o jogo, o Maioral-Mor respondeu-o:
— Não, na verdade eles são uma parte importante da guerra aqui, ao sul. — Nada. Era impossível dele vencer o jogo. Reprimindo um suspiro ou qualquer sinal de frustração continuou, apostando no blefe: — Ter as montarias prontas uma vez que o Censura cair é um vital ponto para invadir Nova Crasíria. Tenho certeza de que, lá, do outro lado, eles também devem ter seus cavalos apenas à espera.
— Que engraçado, os crasirianos montarem apenas em cavalos. — Comentou o tigromem, baixando sua segunda carta. Fitando a carta sobre a mesa e em seguida a face zombeteira de Tadeo, Azai soube então que perdera, que o amigo já bem sabia que o Maioral-Mor não podia mais vencer. — Bem, apesar dos cavalos serem a melhor montaria, é claro.
— Acho que há um erro em sua frase, você disse que os cavalos são as melhores montarias, mas acredito que sua intenção era dizer "chacais-monarcas", não? — Retrucou Azai, suando frio a espera de um milagre divino para virar o jogo. E ele logo surgiu.
— Desculpem-me interromper, senhores Maioral-Mor, Maioral.
Uma vez interrompidos de repente, Azai sentindo-se aliviado uma vez que o homem, o gigante, chegara desculpando-se, uma outra distração além daquele jogo já perdido, uma interrupção bastante bem-vinda no momento, ambos, Tadeo e Azai, levantaram-se, deixando o jogo de lado, enquanto o tigromem batia continência e Azai respondia com um meneio de cabeça e dizendo:
— Não há com o que se desculpar, senhor Maioral-Mor Noah.
— Isso é ótimo. Pode me acompanhar, senhor Maioral-Mor Azai?
A sala que Noah escolhera como escritório já fora, um dia, também a área de trabalho do ancião do vilarejo. Não era um espaço muito grande ou luxuoso, mas haviam muitas prateleiras, estantes e baús, além de tinta, papel e mapas, que o gigante aceitou de bom grado para servirem a seus assuntos. Num canto, ainda, estavam empilhados vários livros e documentos, que estavam ali antes da tomada pelo exército. Noah certificava-se de ler cada um deles mesmo que, em sua maioria, não passassem de confirmações de pagamentos de impostos, números referentes aos estoques de comida e outros assuntos de pouca importância.
— Sente-se, por favor. — Indicou Noah a Azai, apontando a cadeira frente à sua mesa.
Fazia alguns dias que Azai enviara a mensagem, por intermédio de um de seus
soldados, de que o vilarejo havia sido tomado com êxito e apenas algumas poucas horas que o gigante chegara à frente de sua tropa disposta numa extensa coluna, mas era impressionante a quantidade de papéis que já abarrotavam sua área de trabalho. Azai, é claro, frequentemente tinha de lidar com documentos e relatórios idênticos aqueles, mas pode perceber de imediato que havia ali muito mais do que apenas isto.
Noah era um homem verdadeiramente intimidador, enorme mesmo para aqueles de sua espécie, com quatro metros de altura, tendo de curvar-se para andar dentro daquele prédio, e muito musculoso também. Sua pele e cabelos eram completamente negros, a barba e as muitas tranças da cabeça misturando-se numa juba que caía até a metade das costas e do peito, dando a ele um aspecto animalesco.
— Imagino que sejam novas ordens. — Perguntou o Maioral-Mor, sentando-se à frente do gigante. — Devo partir?
— Sim. — Respondeu Noah, sem mais delongas. — Antes mesmo de seu soldado chegar a nós com a mensagem de sucesso, eu já havia recebido instruções do Comandante-Mor para o caso do vilarejo ser tomado com êxito.
"Foi-me ordenado para ficar de guarda neste lugar por conta de sua evidente importância que, creio eu, você também já percebera, até segunda ordem., além de transmitir ao senhor sua seguinte tarefa, que é a tomada de uma cidadezinha aos pés das montanhas, ao norte daqui. — Retirando um mapa debaixo de uma série de rolos de papel e livros grossos, indicando um "X" vermelho sobre uma gravura de duas casas, simbolizando uma pequena cidade, num ponto nos pés da Cordilheira Gris cercado pelas raízes das montanhas, longos braços de terra e rocha que estendiam-se inclinados para o interior de Nova Crasíria, até fundirem-se as planícies e florestas adiante, Noah continuou: — Aqui está. Chama-se: Berço. — O dedo deslizando pela superfície do papel, parando sobre um longo traçado vermelho percorrendo em zigue-zague a encosta oeste da montanha sob o vilarejo em que estavam, que seguia até o "X", Noah acrescentou: — O caminho já foi traçado. Há pressa, mas não tanto quanto na sua última tarefa, já que, diferentemente de quando vocês foram enviados para cá, o povo deste novo lugar não pode observar com muita antecedência nossa aproximação e ainda vai demorar pelo menos mais alguns dias para a notícia de nossa tomada deste vilarejo descer a cordilheira, espalhar-se até as vilas e cidades próximas. Vocês partirão amanhã de manhã.
— A cidade ao norte, senhor? — Perguntou Azai, percebendo uma outra gravura de duas casas ao sul, porém muito mais próxima. — Tem certeza?
— Sim. Parece que é uma cidade que se sustenta com suas minas. Tiram delas ferro ou carvão. Uma vez que este posto estiver bem assegurado, os muitas tropas serão enviadas para lá. — Respondeu o gigante, suspirando, o Maioral-Mor percebendo um cansaço evidente em seus olhos.
Azai nada mais perguntou, simplesmente levantando-se batendo continência, tomando o mapa em mãos e respondendo, enquanto para si mesmo dizia apenas deixar os pensamentos incômodos, que surgiram com o perceber do distanciamento dos alvos, de lado, para aqueles acima de si, para o rei e os seus:
— Entendido, senhor.
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