Capítulo: 16
Octávio
Quando a carruagem e sua comitiva finalmente, num repentino solavanco, pararam, embora sentisse-se confuso quanto a ausência de casas, lojas, hospedarias, torres de vigia e outros edifícios que normalmente cercavam os castelos a vista da janela, o vampiro pensando: "então o lugar é apenas um vilarejo portuário?", puxando à sua memória tudo o que sabia sobre Tunextenso, Octávio agradeceu silenciosamente por poder finalmente esticar as pernas e respirar ar puro após tantos dias de viagem, após muitos quilômetros a trem e ainda depois naquela carruagem, "e agradeço também, a todos os Deuses, por me libertarem do tormento que é escutar esse gorducho por mais um segundo sequer", acrescentou.
— Ah, finalmente! — Disse Carlos, a todo sorriso. Estranhamente, o homem gordo não demonstrava qualquer desconforto ou surpresa com a paisagem do lado de fora, com a repentina parada da carruagem num aparente lugar nenhum. — Ora, parece que os detalhes de meu acordo com meu bom senhor Gilberto de Pontafiada terão de esperar.
— É realmente uma pena, meu bom senhor. — Respondeu Octávio, que esforçou-se para mostrar-se interessado nas intermináveis descrições de acordos sobre terras, navios e caravanas que Carlos detalhadamente narrou durante toda a viagem.
No instante seguinte à troca de palavras dos dois, o cocheiro abriu a porta da carruagem e ofereceu ajuda aqueles que dela saíam, primeiro Carlos, que bufou pelo esforço descendo dos três degraus até o chão, depois Octávio. O vampiro quase não conseguiu conter o espanto quando pôs os olhos pela primeira vez no castelo da cidade. "É assombroso!", pensou. E assim era.
Cercado por uma muralha de mais ou menos vinte metros, do tamanho de uma pequena montanha, e, de fato, cinzento e irregular como uma, o castelo era uma grande massa desorganizada voltada para todos os lados, uma centena de torres, janelas e espaços para os canhões e seteiras, contendo em si pavilhões, pontes e, até mesmo, pequenos trilhos de trem interligando vários pontos. Musgo, trepadeiras e outras plantas cresciam cobrindo grandes trechos de parede, enquanto aqui e ali aves marinhas montavam seus ninhos, empoleiradas em quaisquer cantos do irregular e assimétrico.
— Aí está o Castelo Fedo! — Anunciou Carlos, de braços abertos em boas-vindas ou apresentação enquanto exibindo todos os dentes num grande sorriso, dos mais largo.
— É simplesmente... exuberante. — Comentou Octávio, procurando um adjetivo que encaixasse bem à construção. Falhou na busca pela palavra.
— Não é? — Retrucou o homem gordo, pondo-se a caminhar, acompanhado por Octávio, que seguia-o logo atrás, até o portão levadiço da muralha, que encontrava-se baixado, permitindo a travessia sobre o fosso seco que circundava-a. — Fora construído por um pirata muito tempo atrás, é o que dizem. "Fedo" era seu nome ou apelido, curiosamente. Este lugar sempre foi um importante porto, sabe?
— Na verdade, perdoe-me, meu bom senhor, mas não vejo porto algum. — Interrompeu o vampiro, esperando evitar mais uma longa e entediante conversa com Carlos, desviando-se para algo, um assunto que realmente lhe interessava: onde estava o valor, o porto, de fato, naquele planalto em frente aquele grande rio (Águas Ladras), onde havia apenas aquela aberração chamada de castelo?
Após uma longa gargalhada, Carlos respondeu-o, parando para beber com um pé firmemente no chão:
— Bem logo abaixo de nós, senhor! O nome dessa cidade não é Tenextenso à toa. Tenho certeza de que logo você verá os muitos navios que aqui atracam com seus próprios olhos. Quando eu assumir meu cargo, é claro.
"Agora, voltando ao assunto... — "Merda, eu não quero saber quem construiu essa coisa ou por que, ou como você começou sua companhia apenas com uma pequena caravana de sete carroças deixadas de herança pelo seu falecido pai!" — Este "Fedo" num ataque tomou os portos, mas por conta das frequentes investidas de outros piratas e foras da lei, já com uma quantidade considerável de dinheiro que conseguiu ao cobrar uma taxa para cada embarcação que aqui atracasse, ordenou a construção de uma fortaleza, mas não uma qualquer, veja bem, ordenou que a fizessem dentro de um morro escarpado sobre o planalto, cavando túneis por dentro da rocha, abrindo seteiras e espaços para os canhões!
Carlos continuou a contar sobre como os filhos do feio continuaram a expandir o "castelo" até que ele engolisse por completo todo o morro, quando adentraram enfim o pátio através da ponte levadiça e foram abordados pelo chefe guarda, um homem grande e de armadura completa de aço, com a viseira do capacete levantada, um elfo:
— Meu bom senhor Carlos, eu suponho? — Perguntou o homem, com uma breve saudação ao homem gordo, que assentiu, sorrindo, retrucando:
— Pois tenha certeza de que sou eu mesmo, Carlos Ruva!
— E este é...?
— Sou Octávio de Pessos, meu bom senhor, estou aqui para garantir que não hajam quaisquer problemas na ascensão do Representante Provincial Carlos Rivea.
— Entendo. Me acompanhem, por favor, levarei-os até a sala do Representante Provincial. Os Patrões já estão reunidos lá.
Como o prometido, o capitão da guarda os guiou pelos muitos e labirínticos corredores, que seguiam em direções estranhas, alguns tão largos que duas carroças poderiam passar com certa folga lado a lado, outros estreitos demais para Carlos sequer imaginar adentra-los, e pontes bambas de corda ou de arcos firmes de rocha e degraus esculpidos na encosta do castelo. Carlos seguiu contando a história do seu mais novo lar, as muitas gerações que o governaram e sobre a tomada do castelo pelos darcenses, desviando-se então, como Octávio já esperava que faria, a mais um de seus negócios.
Apesar da esquisitice externa, o vampiro viu um interior bastante agradável, bem decorado e surpreendentemente limpo e iluminado. Os empregados pareciam garantirem-se de sempre manter as luzes acesas ali, principalmente nas partes mais próximas ao centro do castelo, onde ficava a sala do Representante Provincial.
— Aqui estamos, meus bons senhores. — Disse o chefe da guarda, que parecia ter ficado tão aborrecido com as histórias do homem gordo quanto Octávio, o alívio por enfim poder afastar-se de Carlos evidente em sua face enquanto ele fazia uma saudação e deixava-os às portas da sala, voltando por onde veio.
Carlos abriu então as grandes portas para a sala e viu-se em frente aos Patrões, que esperavam sentados numa mesa retangular, reservando o lugar à ponta. Havia também mais um homem, este de pé, muito bem vestido, um lebromem, ao lado do lugar vago. Os Patrões levantaram-se e fizeram uma saudação a Carlos, o homem bem vestido, porém, continuando estático em sua posição, carrancudo. Ele parecia bastante mal-humorado, talvez até mesmo insatisfeito com algo. "Um problema" Octávio soube na hora.
— Meus bons senhores. — Cumprimentou-os Carlos, retribuindo a saudação. Já dirigia-se ao lugar vago, quando o homem bem vestido, num tom que deixa claro ao vampiro que esforçava-se para conter-se, não perder o controle de si mesmo ou cometer qualquer deslize, evitando transparecer a raiva, disse, sarcasticamente:
— Carlos. Parece que não trouxe um exército com você. Que surpresa.
— Ora, e por que eu traria um exército para minha própria casa? — Retrucou o homem gordo, embora estivesse evidentemente um tanto deslocado com o repentino atrevimento.
— E por que não? — Continuou o lebromem, aumentando a voz e olhando para os Patrões, que pareciam ignorar a discussão, fitando suas mãos fechadas sobre a mesa.
— Não facilitaria seu trabalho? Digo, aquele de arrancar de nós nossos filhos e netos e levá-los à guerra, mesmo que já ofereçamos os soldados. — "Antigo Representante Provincial" soube Octávio, observando o homem bem vestido voltar-se a Carlos, inquietando cada vez mais os Patrões. — Não é por isso que o senhor veio? Exigir mais homens? — "Isso é mal".
— Equivoca-se, pois este meu bom senhor e agora Representante Provincial, Carlos Ruva, traz a você e a todo o bom povo de Tunexteso, na verdade, uma chance de paz e prosperidade. — Interviu o vampiro, dando um passo à frente.
— E quem é você?
— Octávio de Pesos, Alto Membro Associado da Assembleia. Fui enviado pelo próprio Senador Fernado para garantir a ascensão de Carlos a seu digno posto. — Suas palavras, ao mencionar seu alto cargo e ter sido enviado pelo próprio Senador, causaram grande impacto nos Patrões presentes, que entreolharam-se e, de repente, passaram a ter vergonha de encarar o lebromem quando este fitava-os um a um. — Tenho certeza de que todas as suas dúvidas se esvaecerão uma vez que Carlos apresentar-se e a seus principais planejamentos. — Concluiu Octávio, indicando ao homem gordo a cadeira vazia a ponta da mesa.
"Isso é o máximo que eu posso fazer, gorducho, você tem de conseguir o controle dos Patrões por si mesmo. Agora eles temem a autoridade do Senador e seu poder, mas, pela forma como não contestaram o lebromem em nenhum momento, até mesmo permitindo que ele ficasse aqui até agora, devem concordar com ele em algum ponto. Você tem de mostrá-los o contrário, fale da linha-férrea, de riquezas e navios nos portos, conquiste-os, pois você precisa destes homens e da obediência deles, mesmo uma vez que eu vá embora de, os Patrões são a vontade do Povo, afinal!", pensou o vampiro, torcendo para que Carlos compreendesse suas intenções.
Felizmente, o homem gordo parecia quase ter escutado os pensamentos de Octávio, e dirigiu-se imponente ao lugar vago e pôs-se a falar, fazendo questão de encarar cada um dos Patrões.
Passara-se quase uma hora quando Carlos finalmente calou-se, surpreendendo Octávio e ao mesmo tempo aliviando-o por não ter se desviado do assunto para gabar-se de qualquer outro de seus negócios bem-sucedidos, concentrando-se em falar sobre os lucros, o dinheiro que movimentaria (algo que fazia muito bem, como o esperado de um homem de negócios, chefe de uma companhia mercantil composta por vários grandes navios e caravanas), a estrada-de-ferro que providenciou a construção e até projetos que Octávio não tinha ouvido falar em qualquer momento antes. Também não escondeu o fato de ter sido ordenado a intensificar o recrutamento, sendo o assunto de abertura de seu longo discurso, o que deixou, uma vez que acabou de falar, as boas coisas mais frescas nas memórias de todos ali.
Ao fim de tudo, os Patrões pareciam muito interessados nos planos do fantasma e dispostos a aceitá-lo como seu novo líder, trocando cochichos de aprovação e acenos de cabeça entre si sempre que Carlos anunciava outro de seus planos, que não eram apenas devaneios de um homem arrogante, mas ideias não apenas lucrativas, como também também bastante possíveis de se realizarem com a colaboração de todos.
Mesmo o antigo Representante Provincial calou-se, atento a Carlos, embora sua raiva ainda fosse evidente, sem dúvida procurando qualquer outra coisa a se prender, para atacar aquele que foi enviado para arrancar-lhe de seu confortável posto. "Porém há algo a mais", concluiu Octávio, sem tirar os olhos do lebromem, que parecia realmente desprezar a ele e a Carlos, mostrando-se cada vez mais raivoso com as propostas do homem gordo.
Como a cada nova eleição de Senadores os Representantes Provinciais eram também trocados, os novos líderes do país escolhendo entre os Altos Membros Associados de seu próprio partido para liderarem as províncias. Não era incomum um antigo Representante Provincial recusar-se a deixar seu cargo e causar qualquer escanda- lo, relutando ao ver seu poder e luxo serem tomados por outra pessoa diante de seus olhos. Octávio não surpreendia-se com a oposição do lebromem, mas sua persistência era notável.
— Vem até nós e tenta compra nossos filhos com seu dinheiro sujo, insistindo em trazer a guerra até o sul, e tem a audácia de dizer que apenas deseja manter a em paz.
— Disse o lebromem, suor já escorrendo por sua testa e pingando de seu queixo, de punhos fechados, dentes trincados e sobrancelhas franzidas, sua face deformada, contorcida em seus sentimentos misteriosos como nunca.
"Não é apenas raiva. Ele tem medo" pensou Octávio, esforçando-se para compreender o homem, sentindo-se a apenas um passo de sua resposta, quando ele continuou:
— Creio que você disse que foi Fernando que os enviou, senhor... Otários. — Disse, errando o nome do vampiro evidentemente de propósito. Embora tivesse sido uma provocação extremamente infantil, o vampiro viu-se mais zangado do que imaginaria ficar em qualquer outra situação. — Mas, pelo que eu sei, é necessário, além da validação do papel pela Assembleia, a concordância e a assinatura de, pelo menos, dois Senadores para tomar qualquer medida quanto ao Estado, incluindo, é claro, a promoção de um Alto Membro Associado para Representante Provincial. Infelizmente, não nos foi enviado qualquer documento que garantisse isto... — Apontou o homem bem vestido, numa tentativa desesperada de impedir, "não, atrasar a ascensão de Carlos!".
— Então, a menos que um de vocês tenha este documento consigo, é necessário esperarmos sua chegada antes de qualquer coisa.
— O documento não chegou? Isso é mesmo uma pena, algo até mesmo preocupante! — Retrucou o vampiro, quase não conseguindo conter o sorriso. Queria sorrir parte por ter descoberto as intenções daquele mal perdedor, quanto pela satisfação de continuar a falar, de proferir as seguintes palavras: — Felizmente eu o tenho aqui comigo, este validado por mim mesmo e assinado pelo Senador Fernando. Uma cópia do documento, digo. Realmente, o Senador Fernando é mesmo um homem muito sábio, me enviando aqui para garantir que tudo ocorresse como o planejado, fazendo questão, até mesmo, de ordenar um terceiro escrito, um outro documento de garantia, para o caso do mensageiro se atrasar ou se sofresse qualquer... imprevisto nestes tempos sombrios.
A cidade e seu porto eram tão belos quanto o castelo sobre o planalto no qual a caverna estendia-se sob. A fissura na rocha tinha, pelo menos, trinta metros de altura do chão até o teto cavernoso e outros cem metros de largura e estendia-se por quase um quilômetro a sob o planalto. A água do rio adentrava o lugar e seguia até o fim da caverna, funda o suficiente para uma embarcação bastante grande navegar sobre e com espaço para até dois dos mesmos navios seguirem lado a lado, e, dos dois lados da caverna e por toda ela, em frente a estas águas, estendia-se um par de longuíssimos cais, no qual as muitas embarcações ali atracavam-se, a grande maioria delas sendo do Pequeno Continente.
Ladeando o porto, depois dos cais e dos depósitos e lojas que o compunham, as casas empoleiravam-se umas sobre as outras, com espaços muito pequenos entre as "ruas", que eram, na verdade, todas escadas que subiam as encostas da caverna até os diferentes patamares de construções. O espaço livre era mínimo, muitas das casas encostando-se, apoiando-se umas nas outras, dividindo telhados, colunas e paredes. Estranhamente, apesar da aparente desorganização, como Octávio percebera no interior do castelo, tudo era bastante limpo e iluminado, postes de luz ladeando todas as ruas e sempre queimando óleo, os patamares das casas bem definidos, e as construções em si nada grosseiras ou malfeitas, embora numa arquitetura disforme e esquisita, os prédios em forma de "L" ou "U" ou cruciformes ou em forma de quadrados, alguns com baixas torres, fossem de relógio ou de vigia, outros com pontes interligando-os, e ainda alguns despejando jorros d'água por estátuas de animais e homens, que representavam heróis ou deuses.
"O castelo realmente é a face da província", pensou Octávio, irônico. Havia sido guiado, a seu pedido, por um guarda do castelo até um elevador movido a bois que dava à cidade sob o planalto. Observava então a caverna de uma varanda quase no teto da caverna. Observava os povos do Pequeno Continente, pessoas, em sua grande maioria, de pele e cabelos escuros, ainda mais que os morenos namorianos, embora houvessem algumas exceções. Deixou-se distrair por um momento, refletindo nas sutis mudanças que a mesma espécie podia ter de um país para o outro, de um continente para o outro.
"Os cratenses são mais baixos que os demais povos. Os Namorianos têm a pele morena (ao menos os descendentes de seu antigo lar, os desertos, afinal misturaram-se com os descendentes dos antigos darcesnses quando tomaram o país). Os povos do pequeno continente são negros. Sem falar das diferenças únicas de cada espécie: os gigantes podendo ser apenas completamente brancos ou completamente negros, os sátiros do Continente de Muntrídia tendo chifres, e os elfos descendentes do povo dos abismos do sul a oeste daqui, tendo a pele azul escura. Se fôssemos classificar cada sub-espécie dos seres sapientes, passaríamos das centenas facilmente."
O vampiro suspirou e voltou a concentrar-se numa dúvida que ressurgira após a reunião com os Patrões: por que fora enviado ali? "Certamente houve um contratempo. O lebromem, o antigo Representante Provincial, como descobri, tinha sido uma afiliado ao partido de Bértil em seu tempo, mas ao final das recentes eleições afiliou-se à irmandade, repudiando os ideais da reconquista. Esperava ser reescolhido como o Representante Provincial de Tunextenso, indicado por Pedro, que sem dúvida já providenciava seu desejo no intuito de aumentar sua influência. O lebromem esforçou-se não para impedir a promoção de Carlos, mas para atrasá-la, ele havia escondido a carta que o mensageiro trouxera, ou mesmo a destruído, esperando aquela que o reelegeria. Também era provável que os Patrões soubessem de seus planos, mas fosse pelos anos que trabalharam juntos ou pelo medo que o lebromem instalou neles quanto as exigências que viriam com o novo Representante Provincial, ficaram calados. Mas, ainda assim, isso não era nada que apenas o documento que eu trazia e alguma guarda armada não dessem conta, Carlos precisava apenas da fidelidade dos Patrões, afinal, não seu amor. Não era realmente necessária minha presença aqui, e eu acredito que Fernando sabia muito bem disso..."
— É diferente do que você imaginava? — Perguntou uma voz desconhecida vinda de trás do vampiro.
— Imaginei que seria algo próximo a Gruta dos Urubus quando o senhor Carlos me disse que a cidade ficava sob o planalto. — Respondeu Octávio, virando-se ao dono da voz e vendo um jovem rapaz, um íncubos de aparência comum, aproximando-se sorridente.
— Aquele poço de merda? Nunca! Namória fez bem em destruir aquele lugar quando tomou todo o leste. — Retrucou o rapaz, brincalhão. Parando ao lado de Octávio, apoiando-se no parapeito da varanda, continuou: — Tenho uma mensagem para você, meu bom senhor. Uma tarefa.
"E aí está a verdadeira razão de eu ter sido enviado para cá" pensou o vampiro, um meio sorriso surgindo-lhe nos lábios. Observou mais atentamente o rapaz, vendo suas roupas, as manchas de fuligem em sua pele, seu mau cheiro e concluindo que sua aparência era... definitivamente bastante comum. "Acredito que é o melhor para um informante ou espião, afinal".
— Estou ouvindo.
— O Senador disse que tem um serviço a ser cumprido em Plateus. — Continuou o íncubos, tirando de dentro do colete um envelope e entregando-o ao vampiro. — Aqui tem a justificativa a apresentar oficialmente, uma "supervisão de administração" ou qualquer coisa do tipo. O trabalho é parecido com o que você fez aqui: tirar um irmão e colocar um reconquistador. Bem, não que Fernando esperasse que fosse acontecer realmente algo aqui.
"A irmandade está tentando estender sua influência para o sul, que mantém-se mais afastado da guerra, e nós estamos tentando impedi-los, hein? Compreendo".
— Algo mais?
— Na verdade, sim: já está reservado um lugar para o senhor numa carruagem na superfície, tudo o que você precisa fazer é falar com o cocheiro, um humano que estará o esperando nos estábulos do castelo. Supostamente, você está voltando para a capital, então não comente com mais ninguém seu verdadeiro destino. O cocheiro sabe para onde seguir. Um conselho agora: pergunte por ele para o capitão da guarda, se necessário, eu sei muito bem o quão confuso aquele castelo é e o quão difícil é para se encontrar alguém nele, mas aquele velhote, o capitão, mora lá há anos, conhece o lugar como a palma da mão.
— Entendido. Adeus, então. — Despediu-se Octávio, dando meia volta, dirigindo-se ao elevador.
— Uh, já vai?! — Perguntou o rapaz, pasmo. — Você ainda nem passeou pela cidade!
— Tenho uma tarefa a cumprir, não é? Uma "supervisão de administração" ou qualquer coisa do tipo. Não há tempo para passeios. — "Não como se eu me interessasse neles."
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