Capítulo: 14
Álex
Tinha passado um pouco mais da hora que haviam combinado, a meia-noite, quando Álex chegou, encharcado de suor e ofegante, a um chafariz próximo ao portão do Grêmio. O garoto havia demorado mais do que imaginava que o faria ao juntar suas coisas e montar sua mochila, apinhando-a de roupas, ferramentas, livros e utensílios domésticos, e ainda mais tempo para sair do dormitório sem acordar ninguém e correr até o lugar combinado.
Quando chegou lá, olhou ao redor, procurando por Miranda, imaginando se ela ainda o esperava, se já tinha partido, se voltara à sua cama, cansada de esperar ou se havia sido pega por funcionários gremistas ou assoladores e punida pela tentativa de fuga, sua imaginação correndo solta enquanto ele já podia ver as piores das situações possíveis. Para sua surpresa e felicidade, ao contrário de suas expectativas, ele a viu correndo em sua direção, também coberta por suor e ofegante. A mochila da garota estava tão grande quanto a do garoto e ele logo compreendeu que ela também enfrentara algumas complicações, também se atrasara.
— Desculpe... — Disse a lebromem, entre um arfar e outro. — Resolvi tomar um banho... e também demorei muito... para escolher o que levaria...
— Tudo bem, eu também acabei de chegar. Tivemos o mesmo problema! — Completou Álex, sorrindo.
O portão ficava logo adiante, seguindo em linha reta a estrada, iluminado por uma serie de postes de luz próximos e ladeado por um par de torres de guarda, mas os jovens, longe das lâmpadas, cobertos pela escuridão, seguiram para fora da rua de lajotas, para o gramado escuro. Continuaram o caminho em diagonal, avançando em frente e para a esquerda, chegando então a uma parte escura da muralha, ao lado esquerdo do portão, distante o suficiente para não serem percebidos pelos guardas nas torres. Os dois trocaram olhares, assentindo, e Miranda então ficando de cócoras, flexionando as coxas, jogou as mãos para trás, segurando Álex, que subiu em suas costas. Todo o corpo da garota brilhava levemente em azul, a luz sendo ofuscada apenas por suas roupas, quando a lebromem, de repente, saltou. O vento passou assoviando, veloz, por entre as orelhas do garoto, enquanto ele simplesmente subia em verticalmente paralelo a muralha, através de oito metros de altura. Em pouco tempo, já tinham atingido o topo.
— Você está bem? — Perguntou Álex, apreensivo enquanto fitando a amiga. — Está cansada?
— Um pouco. — Confessou Miranda. — Mas precisamos continuar, não é? Se não ficaremos presos aqui e não haverá esperança alguma. — Completou sorridente.
Embora normalmente os portões ficassem fechados durante a noite, qualquer gremista podia ir e vir quando quisesse da ilha, apenas justificando-se aos guardas e assinando um livro de registros que era mantido na torre direita, porém, então com a presença dos assoladores e do exército no grêmio, as regras ficaram, de repente, mais rígidas. Os guardas na muralha vinham prestando mais atenção à parte de dentro das muralhas do que à parte exterior, precisava-se então de uma autorização especial, conseguida com um dos professores, para deixar a ilha, caso contrário a pessoa seria detida nos portões e levada aos calabouços da Torre do Grêmio. Se a pessoa detida fosse um daqueles recrutados como assoladores tentando fugir, seria punida com uma série de chibatadas pré-determinadas, caso não fosse, simplesmente passaria um ou dois dias nos calabouços.
Infelizmente para os dois, não houve tempo para descanso, uma lanterna aproximava-se, um guarda em patrulha, rondando pela muralha, rumando na direção dos jovens. Dessa vez, metade pelo desespero do momento, o medo de ser descoberto, metade por saber que o guarda, provavelmente, prestaria mais atenção para o interior da muralha, em busca de possíveis desertores, Álex não conteve-se em usar de sua magia.
Guiando Miranda, levando-a pela mão, até a beira da construção que circundava a ilha, subindo nas ameias e saltando, o garoto conjurou, em plena queda, uma grande criatura, uma marionete, que abriu sua larga boca e saltou na direção de ambos os jovens, abocanhando os dois no ar e aparando-lhes a queda.
A marionete em questão era uma espécie de cobra gigante e com um par de musculosos braços, estes que usara para saltar, impulsionar-se ao ar, possuindo também um corpo cilíndrico e uma cabeça em forma de seta (conjurada especialmente sem dentes por questões óbvias). Um basilisco.
Era uma criatura muito mais complexa e grande do que a última que Álex conjurara, consequentemente, exigindo muito de sua reserva mágica e esforço mental. Álex ficara quase completamente exausto uma vez que usou o feitiço, mas não teve outra escolha, além de, é claro, esborrachar-se no chão ou ser pego pelo guarda em patrulha.
Com a marionete cuspindo os dois, junto de toda a baba que tinha em sua boca, todo o barulho sendo confundido com as constantes ondas que quebravam-se no mar ali próximo, a apenas alguns poucos metros de distância, o garoto disse, tremendo, sem saber se era por medo ou por emoção:
— Sinceramente, mal demos o primeiro passo em nossa aventura e já estamos tendo dificuldades assim!
Quando Álex desfez o feitiço, a criatura desaparecendo com o mesmo estalido que surgira, estilhaçando-se em um milhão de flocos azuis que eram espalhados pelo vento, a água que encharcava suas roupas e as de Miranda também desapareceram, ambos ficando completamente secos novamente.
— Você está bem? — Perguntou a garota, imitando a atitude de seu amigo de apenas alguns segundos antes, forçando uma voz grossa e uma expressão apreensiva. — Está cansado?
Os dois gargalharam da imitação, sabendo que o barulho do mar seria o suficiente para encobrir as risadas.
Continuaram, seguindo pela praia até próximos A Ponte, onde Miranda usou o feitiço de antes para saltar os metros necessários até alcançá-la. De lá, olharam para trás mais uma vez e despediram-se silenciosamente do Grêmio de Desenvolvimento Mágico e Científico de Nova Crasíria, deixando para trás aquela ilha, aqueles prédios e aquelas estátuas gigantes por... por sabe-se lá quanto tempo, sequer sabendo se ao menos voltariam algum dia.
— Ah, estou cansada! — Comentou Miranda, relaxando na cadeira. Após um gole de cerveja, continuou: — Já estamos há horas procurando um grupo que nos leve para Horac, mas eles simplesmente não existem! Os navios nos portos são, em sua maioria, do Pequeno Continente e apenas fazem a viagem entre este lugar e sua terra natal, enquanto as estradas da fronteira estão todas fechadas para as carruagens alugáveis de viagens longa... Vamos ter de ir a pé?
Assim que entraram na cidade, seguindo a ramificação direita d'A Ponte, saindo na parte norte de Dentre-Flume, puseram-se em busca de uma forma de partir, e mesmo com todos os esforços das últimas horas, os dois não conseguiram muito mais do que um "não" como resposta.
Os mares estavam tomados por piratas e outras embarcações inimigas, com exceção dos navios mercantes do Pequeno Continente, poucos se ariscavam a partir em viagens muito longas, mesmo as estradas não estavam muito diferentes, abarrotadas de bandidos e monstros afugentados pelos conflitos, enquanto as fronteiras eram as linhas de frente da guerra, ao leste a Cordilheira Gris sendo o principal campo de batalha, e ao norte, as savanas servindo como uma grande base de operações, os soldados sendo enviados de lá tanto para auxílio aos homens de Horac, quanto para as batalhas contra os namorianos, próximo ao Desfiladeiro Interregno.
— Se as coisas continuarem assim... Bem, eu ainda quero insistir um pouco mais antes de tomar qualquer outra decisão. — Retrucou Álex, afastando o prato que continha os restos de sua refeição. — Ainda podemos tentar alugar um barco daqui mesmo para tentar nos deixar, pelo menos, mais próximo a fronteira. Poderíamos parar nas Ilhas Penhosas, talvez? De lá podemos tomar um outro barco ou voltar para o continente e seguir por terra, e caso não consigamos a embarcação, podemos também comprar passagens num trem para o norte. Além de que nos juntarmos a uma caravana comercial é sempre uma opção. Por uma pequena taxa, eles aceitam transportar (quase) qualquer um, e nós sendo magos, com certeza nos dariam um desconto pela proteção extra nestes dias perigosos.
Ambos estavam sentados à mesa de uma taverna, na varanda do estabelecimento, com vista para uma grande rua, que, mesmo naquela hora da noite, era bastante movimentada. Faziam uma pausa depois de percorrerem quase toda a parte norte da cidade, usando do dinheiro que Álex trouxera consigo. Não tinham feito uma grande refeição, afinal os jovens não tinham muito dinheiro e ainda precisavam pagar por suas passagens para o norte, para aproximarem-se do objetivo daquela viagem, porém, ainda assim, Álex detinha maior fortuna que a lebromem, que possuía apenas algumas poucas moedas.
— Hein? Não teríamos problemas ao chegarmos a pé na fronteira? — Perguntou a lebromem, confusa com a sugestão do amigo. — Digo, há guerra lá, não deixariam-nos simplesmente passar.
— Você trouxe seu Documento de Identificação Intercambista, como eu pedi, não é? — Retrucou Álex, em reposta Miranda assentindo, confirmando. — Isso é o suficiente. Quando os soldados o virem, pensarão que você é, simplesmente, uma maga voltando em auxílio a seu povo, para lutar.
— Faz sentido. Mas, e quanto a você?
As pessoas, os clientes dali, a maioria mulheres ou aqueles jovens ou velhos demais para lutar, conversavam e riam ao redor daqueles dois amigos, mas a despreocupação parecia fingida, os sorrisos e as conversas sobre assuntos sem importância dando um ar de falsidade. Álex por fim respondeu, relutante embora sinceramente, dando de ombros:
— Eu dou um jeito. Fingimos ser casados, talvez?
De volta ao porto, desta vez numa parte mais afastada das grandes embarcações, onde o chão era calçado não pelas velhas e firmes tábuas de madeira, mas forrado por cascalhos, e os barcos eram simplesmente encalhados na praia e não devidamente atracados nos longos píeres, Álex e Miranda seguiam em busca de suas passagens, interrogando marinheiros ociosos, donos de taverna e vagabundos da noite.
— Não sei, droga! — Respondeu bruscamente outro homem, dando as costas para os jovens, retornando sua atenção à conversa que mantinha com uma prostituta.
O garoto suspirou, decepcionado, porém não surpreso. Já tinha perdido a conta de quantas vezes recebera aquele tipo rude de resposta. Sem deixar-se abalar, Álex continuou a caminhar, simplesmente seguindo em frente, sem um real objetivo, apenas deixando que o acaso o levasse a mais uma pessoa que pudesse abordar, com sorte um capitão disposto a levá-lo e sua amiga também ou alguém que conhecesse quem poderia fazê-lo.
A região ali, embora ainda dentro das muralhas da cidade, tinha um aspecto totalmente diferente se comparado com o resto da cidade, assemelhando-se mais a um empobrecido vilarejo beira-mar afastado de tudo do que parte da capital do país, todas as casas sendo não mais do que barracos de madeira construídos de forma destoante ao resto dos belos prédios de Dentre-Flume, os telhados sendo planos, quase não havendo jardins ou cores, enquanto o esgoto era a céu aberto, sendo pouco mais que uma dúzia de valas fedorentas que seguiam rumo ao mar. Aquele lugar era na verdade um bairro bastante suspeito da cidade, uma parte escura a qual poucos davam-se o trabalho de olhar, e definitivamente nem um pouco amigável. Porém, isso não parou aqueles jovens.
Álex e Miranda não tinham qualquer medo ou preocupação de andar por ali, mesmo durante a noite escura, ninguém, afinal, atacaria um mago do Grêmio sem pensar duas, não, três vezes. Um par deles então...
A ideia de tentar qualquer coisa para eles parecia simplesmente loucura mesmo para o mais destemido dos bandidos. Havia ainda, mesmo naqueles tempos de globalização, descobrimento e avanço, tanto científico quanto mágico, um grande misticismo, um temor quase devoto quanto à magia, seus limites ainda sendo conhecidos por poucos com exceção daqueles que a praticavam.
Porém, também por ser justamente por ser uma região tão suspeita que os jovens ali procuravam por barcos. Sabiam que, enquanto o porto mais iluminado estava cheio de grandes embarcações, poucos dos capitães delas mostravam-se dispostos a aceitarem passageiros, muito menos numa viagem para Horac ou para qualquer lugar ao norte, muitos deles sequer falavam crasiriano. Já naquelas bandas teriam mais facilidade em encontrar homens dispostos a zarpar pelo preço certo... Embora Álex não estivesse realmente confiante de que tivesse o "preço certo".
— Com licença... — Começou Álex, como já fizera tantas outras vezes, abordando então um ratomem corcunda que descansava recostado num canto, fumando.
— Estamos procurando por...
— Uma embarcação. — Completou o ratomem, antes que o rapaz conseguisse terminar de falar a frase. — Uma que os leve para Horac. Eu sei.
Álex sorriu, satisfeito consigo mesmo, orgulhoso. Era isso que vinha procurando, sabia que se continuasse fazendo as perguntas por ali, atrairia a atenção de alguém.
— E eu também sei onde vocês podem conseguir este barco. — Disse o ratomem gesticulando com as mãos, indicando "dinheiro". Como o exigido, Álex pagou o homem, entregando vinte e cinco ligas. Na verdade, aquela quantia não era muito, o garoto sabia, mas devia economizar se quisesse aquela passagem. O ratomem, porém, ficou evidentemente insatisfeito, mas a reputação de um mago fazia mais do que amedrontar encrenqueiros. Descontente e relutante, o ratomem guardou o dinheiro no bolso, suspirando e continuando a falar: — Procurem pelo "Rafa" em frente ao prostíbulo "Irmãs". Ele tem o que vocês procuram.
Não precisaram andar muito mais para chegarem ao prostíbulo indicado. Ele era claramente a maior (e mais feia) construção dali, um enorme cubo de madeira, com puxados para todos os lados, telhados de cores diferentes e quase sem janelas, identificando-se apenas por uma placa pregada ao lado da porta de entrada. Em frente ao prédio, a apenas cerca de dez metros de distância, na praia, recostado num pequeno e velho navio pesqueiro sem tinta ou nome nele gravado, sentava-se, afiando uma longa faca, o provável capitão da embarcação, "Rafa".
— O que querem? — Perguntou Rafa, muito antes dos jovens estarem próximos o suficiente, fazendo sua voz cheia de um sotaque desconhecido ecoar por sobre o barulho das ondas que quebravam na praia.
O capitão era um ogro. Tinha membros compridos, a esclera completamente negra, pele vermelha e um único e comprido chifre saindo de sua testa. Sua aparência era maliciosa, a face toda marcada por um sem número de cicatrizes e tinha uma cabeleira negra que misturava-se arrepiada com a barba.
Parando de andar de repente, espantado pela excelente percepção do homem, ficando ainda mais tenso uma vez que entrara sob a sombra da sinistra embarcação, que rangia e estalava a todo momento, assoviando de formas estranhas enquanto o vento passava por entre frestas e janelas, o rapaz respondeu, imaginando que a melhor opção era ser o mais direto possível:
— Viemos comprar uma passagem.
— Então estão no lugar errado. — Retrucou bruscamente Rafa, sem parar um momento sequer de afiar sua faca. — Aqui não é uma estação de trem, crianças.
— Nosso destino é para muito mais longe do que qualquer trem pode nos levar.
— Respondeu o garoto, altivo.
Álex sentiu-se mais uma vez estranhamente orgulhoso de si mesmo, acreditando então parecer-se com um herói de verdade, que estava numa aventura de verdade. Isso, porém, serviu apenas para fazer aquele homem cair em gargalhadas exageradas. Miranda corou e o rapaz sentiu-se então um tanto envergonhado, encolhendo seus ombros perante o ogro. Deixando a faca de lado, o capitão voltou-se para os jovens, ainda sorrindo, e brincou:
— Certo, certo, senhor "Prince Romântico". Estão fugindo dos papais ricos porque eles não aceitam o casamento de vocês? — Álex sentiu-se corar, ainda mais envergonhado. — Tudo bem, pelo menos vocês devem ter dinheiro, não é? Sabem o que é dinheiro, crianças, ou o papai de vocês comprava tudo por ele mesmo?
— Temos dinheiro! — Respondeu o garoto, zangado.
— Entendido, entendio, Príncipe, por favor não se irrite. Agora... — Disse Rafa, estendendo a mão, quando Álex entregou-lhe o dinheiro, cinquenta ligas, e... nada.
O capitão apenas olhou incrédulo para as moedas depositadas em sua mão e tornou a gargalhar.
— Isso não paga nem minha bebida, criança, quem dirá toda a despesa que terei com suprimentos levando vocês dois para sabe-se-lá-onde! O preço da "passagem" é, pelo menos, seis vezes maior!
Trezentas ligas. Isso era ruim. Era todo o dinheiro que sobrara a Álex. Se pagasse pela viagem, certamente não conseguiria comprar qualquer comida, roupa ou mesmo uma passagem das Ilhas Penhosas para o continente, mesmo com a ajuda de Miranda. Mas... Tinha de fazer. Tinha de aceitar, não havia outra opção. Era por sua amiga, pelo que era certo, que fazia aquilo. Deveria, de alguma forma, dar seu próprio jeito de arranjar dinheiro quando chegasse ao seu destino.
Já estendia a mão, passando a bolsinha com as moedas para Rafa, quando Miranda interviu, segurando o amigo, impedindo-o de pagar ao capitão. Ao mesmo tempo triste e irritada, a garota gritou:
— Não! Não precisa fazer isso, Léx!
— Mas...
— Tudo bem. Não precisa ser assim. Há outras opções, lembra? Vamos procurar uma outra forma! Ainda podemos comprar assentos num trem ou um lugar numa caravana, não é? — Concluiu a lebromem, forçando um sorriso, quase como se implorando para que o amigo a escutasse. Sua expressão estava carregada de pesar e ansiedade.
Álex, fechando a face numa carranca, tornou a guardar a bolsinha num bolso interno do colete, quando encarando o capitão disse, duro, estendendo a palma da mão a Rafa:
— Você a ouviu. Isso é um absurdo, nós vamos procurar alguém que não seja um ladrão como você para nos levar. Agora: devolva as moedas.
Rafa retribuiu o olhar intimidador, encarando o garoto, abrindo e fechando os dedos sobre o cabo de sua faca, por um momento considerando alguma coisa, isto refletindo em seu olhar, que tinha então um brilho incerto. Por fim, cuspindo ao chão, o ogro jogou as moedas a Álex, dizendo:
— Que seja! Não tenho tempo para crianças, mesmo! Caiam fora daqui e não voltem mais!
Álex, uma vez que afastou-se do capitão, suspirou, aliviado. Uma vez que o capitão mostrou-se ousado o suficiente para cobrar tantas vezes mais caro, cobrando tanto de um par de magos e ainda de zombar deles, o rapaz temia que Rafa seria capaz também de não apenas negar-se de devolver-lhe o dinheiro, mas também atacá-lo para tomar o resto. Pela primeira vez que deixara o Grêmio, sentiu um calafrio percorrer sua espinha, seus pelos eriçarem-se, suas roupas grudarem na pele de repente, conforme este encharcava-se de seu próprio suor. Sentiu medo. O pensamento de que as aventuras podiam não ser tão divertidas como imaginava passou então por sua mente, mesmo que apenas por alguns segundos, porém, logo o orgulho e satisfação de ter encarado aquele encrenqueiro enterraram essa ideia quase que instantaneamente.
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