Desenredo - Capítulo: 10

 Capítulo: 10

 

“Pouco é sabido sobre a antiguidade no Continente Marcial, além de que aqui já houve um grande império que caçou poderosas criaturas conhecidas como ‘dragões’ até sua extinção com um conjunto de armas de fabricação, funcionamento e atual localização desconhecidas, e com este mesmo poder conquistou e controlou toda esta vasta extensão de terras. Imponente. Brutal. Invejado. Fora desmembrado e devorado vivo, de dentro para fora, pela miríade de povos que subjugou. Sua memória, porém, continuou a viver nos povos que usurparam sua posição. Povos estes conhecidos como ‘humanos’.”

Extrato do livro Guia Compreensivo da História de Álfheim, por Elarico Milemario Saudoso.

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— O-O que?! — comentou, chocado, o Herói Verônico, lindo mesmo quando horrorizado. — V-Você tem certeza...?!

— Sim, não há dúvidas, senhor príncipe Herói — respondeu o novo mestre historiador, um homem muito idoso e tão corcunda que precisava da ajuda de uma bengala para andar. Por dentro, este regozijava-se por ter finalmente recebido aquela promoção que parecia nunca vir. Originalmente, eu tinha em mente talvez uma rota de traição e envenenamento para sua ascensão, mas um certo rebeldezinho tirou tal narrativa dos trilhos. — Há um novo Rei das Sombras, e seu nome é Haicard de Caminho Errado, e o livro revela que sua especialidade são “Sussurros”.

— Um mestre dos sussurros... Isso explica muito — o braço direito de meu campeão, o Mago Saulo, comentou, ajeitando os óculos e franzindo o cenho, não por raiva, mas por culpa. — Ele deve ter matado aquele Barão e vindo até aqui justamente para conseguir assassinar o velho mestre historiador — pensou em voz alta, deixando de lado apenas a parte em que ele assumia responsabilidade por tudo aquilo, especialmente por ter até cedido temporariamente sua casa ao seu inimigo.

Eu não havia escolhido Verônico como Herói à toa, porém, e este imediatamente percebeu a tempestade que se formava por sob a fachada de plenitude de seu amigo:

— Ei, eu estava lá e não percebi nada também. Esse Rei das Sombras enganou a todo mundo, então não vá assumindo culpa que não pertence a você.

 — Haha. É, você tem razão.

— Verônico, você não vai partir de novo, não é? Certamente, se um novo inimigo dos elfos surgiu, Deus deve ter escolhido também um novo campeão, então... — a princesa herdeira segurou a manopla fria de seu esposo já completamente revestido de metal azul para a guerra, pesarosa. Fazia pouco tempo que casara-se com o Herói, e não tinha vontade alguma de ver-se sozinha com a mãe mais uma vez.

— Uuh... O artefato não contém informações sobre outro Herói além de Verônico, senhora Princesa Herdeira — o novo mestre historiador, explicou, já pensando em como investir seus novos poderes no seu tipo favorito de pesquisa: armas antigas.

— Bem, você ouviu, minha esposa. Esse é meu dever apenas. Tenho de reunir minha equipe e partir a fim de cumprir para com minha função de campeão de Deus — Verônico deu meia volta e entrou em ação imediatamente.

— Você vai reunir-se com as Heroicas de novo? — Criscina sussurrou por detrás da porta fechada dos aposentos do mestre historiador, abalada, mas mesmo a Percepção de seu marido era bloqueada pela passagem daquele cômodo, e ele nenhuma a angústia percebeu.

Na verdade, enquanto marchando pelo castelo, Verônico sentia dentro de si chama que não ardia há anos, desde o fim da última guerra sacra.

Talvez eu precisasse caprichar um pouco mais nas garotas principais. Por mais que eu sempre fizesse questão de fazê-los produzir uma enchente de dopamina, feniletilamina, oxitocina e adrenalina na primeira vez que meus campeões observassem as mulheres que criei para eles, por algum motivo não era incomum que os Heróis acabassem se apaixonando por todo mundo que não as Princesas, e eu já havia usado todas as minhas boas ideias: a garota mais bela do reino que infelizmente namorava um idiota, a garota que expressava seu amor através de abuso físico e verbal, a garota tão emocionalmente estável que não sentia necessidade de nenhuma outra presença além de sua própria...

Ainda assim, todas estas histórias acabavam de formas indesejadas: a primeira traiu seu Herói como seu último namorado, a segunda infernizou tanto a vida de seu parceiro destinado que este cometeu suicídio, e a terceira literalmente ordenou o assassinato de seu marido, temendo a perda de seu poder. Felizmente, aquela ordem secreta cujo último líder foi assassinado por Haicard manteve todos estes rumores sufocados.

Fazer o que? Enquanto eu não acertava em minhas escolhas românticas, eu improvisava, tornando o Herói literalmente incapaz de sentir atração por nenhuma outra mulher além de sua predestinada, a fim de evitar erros como os que aconteceram com Cruz.

E contanto que Verônico lidasse com o rebeldezinho rápido o suficiente, a natureza de nosso contrato não deveria influenciar em qualquer grande mudança na minha caixa de brinquedos favorita.

— Eu prometi às garotas que quando nos reuníssemos de novo seria no casamento delas, mas parece que vou ter que quebrar esta promessa. Espero não as incomodar com esta visita fora de hora.

— Haha, eu não acho que isso vai ser realmente um problema para aquelas duas, senhor príncipe Herói.

— Assim espero. Guardas! Preparem nossos pegasus! — ordenou meu campeão.

— Já estão prontos, senhor príncipe Herói!

Ah, aquilo era um problema.

Os cavalos alados foram um presente que resolvi dar ao Herói e a seus amigos quando já estavam perto de encararem o Rei das Sombras, uma recompensa e forma de viajarem com maior facilidade, uma vez que eu já não tinha mais tanto interesse em vê-los matando monstrinhos aleatórios por aí, mas sentia que deveriam focarem-se mais em sua Missão principal. Porém, permitir que Verônico e os seus usasse as bestas para moverem-se por aí milhares de vezes mais rápido que seu desafiante iria contra nosso acordo, seria uma interferência minha contra o rebeldezinho, afinal...

Não havia escolha, um pequeno reajuste temporal era necessário.

— Assim espero. Guardas! Preparem nossos pegasus! — ordenou meu campeão.

— P-Perdão, senhor príncipe Herói, mas as bestas iniciaram seu ritual de acasalamento e partiram para algum lugar numa corrida pelos céus... — respondeu o guarda, cabisbaixo. — Mas ainda temos os cavalos mais rápidos do Reino em nossos estábulos!

— Os pegasus partiram? — Verônico piscou os olhos espantado.

— Neste caso... — Saulo sorriu, parte envergonhado pela empolgação do amigo, parte feliz em vê-lo exibir um sorriso mais largo do o fizera nos últimos anos.

— Hehe, Sim. Faz tempo, não? De certa forma, eu já estava sentindo saudades disso — Verônico aproximou-se de uma janela do corredor junto de seu companheiro, e ambos pisaram sobre seu peitoril. — Pronto?

— Quando você estiver!

E assim, apenas minutos depois descobrirem sobre o surgimento de um novo Rei das Sombras, o Herói Verônico e seu leal companheiro Saulo dispararam das janelas do palácio real a fim de reunirem-se com suas demais companheiras, meu campeão saltando de telhado em telhado numa velocidade de 100 quilômetros por hora mesmo quando vestindo sua armadura completa de mithril azul (sem o elmo, porém, uma vez que eu gostava de deixar suas expressões faciais o mais visíveis e claras possível), e Saulo usando de um Feitiço para se impulsionar pelo ar magicamente, seus trajes de batalha verdes tremulando ao vento como bandeiras de vitória, uma mistura de manto medieval e terno moderno.

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Oito horas de viagem e duas pausas para o descanso de Saulo depois, Verônico e seu amigo chegaram ao “lar” da mulher que um dia já lutara lado a lado com eles como a Curandeira de seu grupo.

— Mariah — Verônico aproximou-se da garota que dormia placidamente numa cama de flores, literalmente: não havia paredes ou teto em nenhum lugar, e o local que servia de casa para a garota era apenas uma estrutura circular de pilares de mármore coroando o topo de uma baixa colina florida.

— Nghnn... — a garota levantou-se vagarosamente, esfregando os olhos sonolentos, apesar de dormir ao relento, seu traje houppelande de seda amarela sem um único amarrotado. Seus olhos de íris amarelo-fogo, seus cabelos de um loiro quase alaranjado e ondulados, que enquadravam um rosto delicado e bonito. Um que parecia sequer pertencer ao corpo conectado ao seu pescoço, que era coberto inteiramente por tecido queloide. — Senhor Herói?! O que você faz aqui? Você deveria estar guiando o Reino com sua... esposa — falara as primeiras palavras com visível surpresa e empolgação, mas concluíra sua frase com educação forçada.

— Haha, qual é, Mariah, você não precisa me chamar de “senhor”, não precisamos de um segundo Saulo no grupo, não é? — os bons amigos sorriram. Tão repentinamente quanto um trovão, porém, Verônico vestiu uma expressão séria, e os demais o copiaram. — E a Princesa tem sua mãe para lhe fazer companhia. Nós, por outro lado, temos um assunto de maior importância para lidar no momento.

— O que é, senhor Verônico? Algum Visconde ainda na ativa?

— Quem dera, Mariah. Não. Trago notícias muito piores. Um novo Rei das Sombras surgiu e já fez uma vítima no palácio real, assassinando o mestre historiador.

Enquanto isso, porém, Saulo não pôde deixar de perguntar-se se deveria contar para Mariah um detalhe que para Verônico não parecia muito importante, uma vez que o rapaz não era nativo daquele mundo: o novo campeão de Demônia era um elfo. Hesitava em relatar aquilo não porque era um acontecimento inédito, mas porque se perguntava como a Curandeira reagiria àquilo, considerando seu passado.

— Entendo. Isso é realmente fora do normal, um acontecimento histórico, mas pode contar comigo, Herói! — Mariah prometeu, tentando parecer tão séria quanto seus amigos, mas enquanto franzindo o cenho, era capaz de no máximo parecer com um esquilinho nervoso. Eu não tinha planos para nenhum arco especialmente trágico para aquela geração. Mas, afinal, talvez tenha sido um erro não ter dado para ela a capacidade de se expressar daquela forma, considerando a situação atual.

— Eu sabia que poderia contar com você, Mariah! Então, vamos logo atrás da-  —Verônico começou a falar, quando sentiu gotas de chuva começarem a cair do céu. Aquilo, obviamente, não era um problema para o Herói, mas ele já estava se segurando para acompanhar o ritmo de Saulo, e sabia que o mago perderia ainda mais velocidade com as roupas encharcadas, com frio, e com a resistência do vento da tempestade por vir. — Desculpa por já começar a te pedir favores tão cedo, Mariah, mas será que...

— Fufu! Está tudo bem, senhor Herói — a garota sorriu, juntou as mãos como se para rezar, e fechou os olhos. — Tempo Limpo — conjurou uma espécie de poderoso furacão com ela como centro, que ergueu-se aos céus e subjugou a tempestade nascente, estraçalhando-a como um lobo com um carneiro perdido, os restos de nuvens negras atiradas para os quatro cantos.

Aquilo, naturalmente, afetava significativamente os ciclos naturais de secas e chuvas, e sempre que tais tipos de Feitiços eram conjurados, eu ajustava as coisas a fim de manter o clima inalterado, mas como eu havia entretido um certo rebeldezinho com a ideia de não interferência, daquela vez nada fiz. Mesmo que o pior viesse a acontecer, colheitas fossem perdidas à seca, e vilarejos inundados, uma vez que aquela Missão que criei por mero capricho fosse concluída, eu podia retroativamente reparar aqueles danos.

— Só me deem um momento, vou chamar o Pocotó, ele deve estar pastando por aqui-

— Ah, na verdade os pégausus estão em época de acasalamento ou algo assim, e partiram para algum lugar distante. Espero que retornem logo, mas não podemos nos dar ao luxo de esperar, temos de ir nos encontrar com Landa e reunir a velha equipe de novo.

— Hmph! — um dos cantos da boca de Mariah caiu, e ela não fez questão de esconder seu descontentamento. — Talvez não precisemos de uma Ladina nessa Missão?

— Haha, acho que vamos precisar sim? — se afastando da companheira, Verônico perguntou ao seu amigo: — Criscina eu entendo, mas por que Mariah e Landa também se dão tão mal uma com a outra?

— Haha, você realmente é denso, em? — aquele não era exatamente o termo correto, uma vez que eu havia construído o cérebro de meu campeão para ser literalmente incapaz de notar os claros sinais de interesse romântico demonstrados por mulheres que não aquelas que eu havia feito para ele. Era bom saber que, apesar da ausência de meus empurrõezinhos, aquele detalhe continuava o mesmo, pelo menos até então.

— Que?

— Nada, senhor príncipe Herói. É melhor partirmos o mais cedo possível.

Meu campeão disparou numa corrida que deixava qualquer cavalo no chinelo, Saulo voou envolto em energia azul, e o próprio corpo de Mariah passou a brilhar, como se feito de luz solar, e ela moveu-se como um espectro luminoso lado a lado de Verônico.

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Um dia inteiro de viagem depois, a equipe de meu campeão, mais do que capaz de ficar vários dias sem dormir devido aos seus altos Atributos, alcançou um castelo no coração de uma pequena cidade.

— Ela realmente deu um trato nesse lugar desde a última vez que estivemos aqui — Verônico comentou, sorrindo.

— Ela... realmente põe um toque de personalidade no que lhe pertence — Saulo concordou, com um sorriso sem jeito.

— Uau, como esperado do senhor Saulo. Você é capaz de ofender as pessoas de forma tão sutil, tenho muito o que aprender com o senhor ainda — Mariah sorriu amarguradamente enquanto encarava o castelo. — Um toque de personalidade. Realmente. Esse castelo tem a cara dela.

A construção que o trio encarava era antiga, quadrada, relativamente baixa e quase tudo sobre ela era exatamente do jeito que eu gostava, não pareceria estranha em uma colina em algum lugar da Europa, bem como as casinhas que a cercavam. Infelizmente, porém, sua dona atual havia pendurado uma série de badulaque nas paredes do castelo, correntes que iam de merlão a merlão suspendendo tapetes de moedas de todos os tipos, que cintilavam como horríveis globos espelhados dos anos 80, sobre as muralhas a mulher havia colocado belas estatuas variadas vestindo caras armaduras, e nos telhados das torres de guarda voavam caras peças de arte como se fossem bandeiras.

Eu deveria tomar mais cuidado na fabricação de tais personalidades no futuro. Pelo menos quantoàa construção de seu senso estético, a fim de não atrapalharem meu mundo cuidadosamente construído.

— Os senhores podem ir na frente, vou esperá-los aqui fora — Mariah insistiu, e sabendo que aquilo não tinha nada a ver com a rivalidade que a mulher tinha com sua companheira, os dois homens prosseguiram sem questioná-la.

Após passarem por um pequeno exército de empregados e uma dúzia de salas e corredores lotados de luxos ao ponto de quase serem intransitáveis, finalmente encontraram-se com sua velha amiga e companheira.

— Verônico, Saulo! Há quanto tempo! — uma mulher de cabelos loiros e muito curtos os recebeu, e enquanto sua estatura era menor do que o comum, seu sorriso era também mais largo do que o de muitos, sem vergonha pela falta de um dente incisivo superior. Abraçou seus companheiros desajeitadamente devido a todas as extravagantes peças de roupas e joias que vestia. — É rara uma visita de vocês, ainda mais assim de surpresa. O que foi, finalmente se separou daquela Princesa e agora busca uma mulher de verdade?

— Haha, não, não é esse o caso.

— Vieram me convidar para algum desfile ou festa ou baboseira do tipo de novo, então?

— Também não.

— Hmm. Então é por causa de problemas — a Ladina entendeu a situação rapidamente. Devido à vida que vivera antes de tornar-se uma Heroica, possuía um tipo de inteligência diferente da de seus companheiros. — Tenho certeza de que já caçamos todos os manda-chuvas do exército das sombras, então o que foi? Alguma organização criminosa está dando problemas? Precisam de alguém silenciado por baixo dos panos?

Como eu disse, inteligência diferente daquela de Saulo e do Herói, mas necessária. Na verdade, eu pensava que o rebeldezinho tentaria recrutá-la para sua causa, mas aparentemente este não era o caso.

— Eh? — Verônico mantinha o sorriso com o qual entrara no castelo inicialmente, mas a felicidade por trás deste já havia se dissipado.

— N-Não, não é este o caso, Landa. Na verdade... — Saulo explicou tudo para a pequena mulher elfa de aparência genérica, ainda que atraente.

— Uau. Esse Rei das Sombras é um cara de pau mesmo, entrou no castelo real e matou o mestre historiador? Inacreditável — a Ladina sentou-se num trono exageradamente decorado atirado num canto de seu quarto e coçou sua nuca. Apesar de sua aparência calma, ela tinha um mau pressentimento sobre aquilo tudo. De fato, apesar de seu Potencial: Muito Alto, eu havia tomado apenas cuidado o suficiente para que ela não morresse antes da hora, e havia lhe permitido, propositalmente, uma experiência de vida relativamente normal até conhecer o Herói, então a mulher tinha um sentido de captação mais apurado que seus companheiros para quando as coisas saiam dos trilhos. — Algum novo Herói foi escolhido para matar esse tal Mestre dos Sussurros?

— Não. Somos nós de novo, provavelmente os únicos encarregados a derrotar dois campeões de Demônia em sucessão.

— Hahaha! Bem, não temos realmente escolha então, não é? Se não lutarmos, é o fim do domínio élfico sobre este continente — Landa riu alto. Mas por dentro-

Me surpreendi lendo os pensamentos da mulher. Ela parecia ter certeza de que aquela aventura terminaria em tragédia.

E eu quase decidi espiar o que aconteceria no futuro, pular para as últimas páginas daquela aventura inesperada. Fui estranhamente tentado, apesar de nada daquilo ter se desenvolvido idealmente. Me contive, porém, e forcei minha consciência a permanecer firme no presente.

— De qualquer forma, já vai anoitecer, e vocês devem estar viajando sem parar há dias, certo? Fiquem aqui por hoje. Vou ordenar aos meus servos que preparem um banquete, e camas e banhos quentes para vocês. A Curandeira está aí também, não é?

— Sim, paramos para pegar Mariah primeiro, já que ela mora mais perto.

— Deve haver algum pano de chão por aí que ela possa usar como cobertor, e uns cochos para cavalos comerem e tomarem água também. Mas você pode ficar no meu quarto, Verônico. Na verdade, na minha cama! NA VERDADE, na verdade, pode ficar dentro de m-

“BOOM!”, um estrondo ecoou, vindo dos andares debaixo.

— Haha, parece que Mariah finalmente se cansou de esperar — Saulo gargalhou.

— Landa, vamos comer este banquete do lado de fora — Verônico pediu. E sua amiga suspirou antes de concordar.

— Tá bom, tá bom. Eu vou falar com o chef e seus assistentes para colocarem a mesa do lado de fora — Landa ergueu as mãos, rendida. —  Intangível — e ativando uma Habilidade, simplesmente atravessou o chão de seu quarto na torre mais alta do castelo, e o chão de todos os andares inferiores, até chegar na cozinha, quando deu as ordens aos seus servos.

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Sendo notificado por uma nota de “mensagem recebida”, Verônico sentou-se em sua cama. Aquilo era resultado de um Feitiço inferior ao Telepatia que ele mesmo possuía, mas era o melhor que Criscina podia fazer, e diga-se de passagem, já era impressionante o suficiente para alguém do Nível: 1.

“Meu amado marido, sob o sol do meio-dia, rezo a Deus todos os dias para que retornes para nosso lar são e salvo. Sua patética esposa sente-se sozinha sem sua presença ao seu lado. Tantos anos passei imaginando como seria nosso reinado juntos, enquanto lutavas tua primeira campanha, e agora o destino nos é cruel mais uma vez e nos separa tão cedo após nosso casamento. Ainda fizemos tão pouco juntos. Vamos velejar toda a costa de Álfheim quando retornares, vitorioso.”

Verônico leu a mensagem com expressão neutra. Enquanto normalmente, querendo ou não, eu faria seu coração bater pelo menos um pouquinho mais rápido quando lendo as palavras da mulher que lhe preparei.

Preparou uma breve resposta motivado por puro dever, perguntando-se se teria sorte o suficiente de cruzar caminho com um monstro marinho quando o entediante velejo acontecesse.

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No dia seguinte, e após um breve descanso, o Herói e seu grupo partiram a toda velocidade para coletar informações sobre seu novo oponente.

Infelizmente, porém, o rebeldezinho em questão se via livre de minhas amarras pela natureza de nosso acordo, então os métodos tradicionais com os quais aquela equipe estava acostumada para obter dados sobre seus oponentes, a guilda dos aventureiros, a igreja, boatos em tavernas, e muitas Missões divertidas, não lhe seriam úteis daquela vez, e meu campeão e seus Heroicos cresceram cada vez mais frustrados ao encarar dificuldades inéditas.

Por outro lado, o rebeldezinho não parecia estar se saindo nada mal, para minha surpresa.

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