Contra Todas As Estrelas Do Céu - Capítulo: 28

Capítulo: 28

— “Eu sei sobre as armas secretas e planos de todo mundo, bla bla bla, a minha arma secreta e o meu plano de dominação da Terra, porém, é muito melhor que os de todos os outros”. É, eu sei — falei antes que a velha carrancuda à minha frente sequer abrisse a boca. — Sim, sei que vocês sabem meu nome. Não, eu não estou trabalhando para nenhum de seus rivais. Sim, eu sei que você não acredita em mim. Não, nem seus guardas, nem o Patrono Absoluto podem me matar — a interrompi antes mesmo de responder uma segunda vez.

Quando o líder supremo dos rebeldes (ou verdadeiros lealistas, a depender de quem você perguntasse) me prendeu num calabouço qualquer, confuso pela cena sangrenta no galpão, eu já sabia o que esperar.

— ...Se isso é mesmo verdade, então você deveria trabalhar para nós — a idosa comentou, me olhando por cima do próprio nariz. Tão alta quanto o filho ou qualquer um das primeiras gerações de humanos a habitar a Terra Sadia, usava um elegante vestido preto e seu rosto era parcialmente obscurecido por um véu também negro. Era a irmã e amante do último Patrono Absoluto.

Ela confirmou minhas expectativas para aquele interrogatório.

— Não, obrigado. Eu não posso assumir um novo mestre. Sabe como é, sou um serviçal e minha última Mestra me ordenou a não obedecer a mais ninguém, não posso ir contra seu desejo e tudo isso.

— Aaaaah, tá — o grandalhão seminu assentiu com a cabeça do outro lado da grade.

— Bobagem! — sua mãe o repreendeu. — É claro como o dia que ele é selvagem!

— A-Ah! Como se atreve a mentir para nós! — o Patrono Absoluto-Absoluto grunhiu, flexionando todos os músculos cobertos em óleo.

— Urgh — a idosa revirou os olhos. — Vamos logo, diga — exigiu.

— Dizer o quê?

— Se você não quer que desperdicemos seu tempo, ao menos nos dê o mesmo tratamento e faça logo suas exigências. Diga o que você quer de nós. Um enigma como você não viria coincidentemente justamente para a cidade em que a cabeça do exército lealista instalava-se logo depois de ter contato tão próximo com tantas outras figuras importantes.

— ...Mas foi só coincidência.

— Aaaah, tá.

— Tch! Ele está obviamente mentindo, seu palerma!

— A-Ah! Como se atreve a mentir para nós!

A mãe do (possível) líder supremo da nação esfregou o próprio rosto, suspirando.

— Dinheiro? Terras? Um título? Influência política? Mulheres? Homens? Você pode ter até meu filho, apenas me diga seu preço.

— M-Mamãe, eu não gosto desse tipo de negociação...

— Pois se acostume! Faz parte de ser um bom líder saber o que dar e tomar.

— Pft! Quem escuta ela agora não acreditaria que ela mergulhou o país numa guerra civil — minha amiga cuspiu de uma outra cela.

— Eu não acredito que eu estava disposta a morrer pelo bem daquele cabeça oca... — Felicita sussurrou também de outra cela.

— V-Vocês duas, apenas deixem Machius negociar em paz, tá bom? — Ed tentou silenciá-las.

— Salessandra está certa — dei de ombros. — Pela forma como você fala, não parece que você ressente seu irmão tanto assim.

— ...Ele tomou as decisões mais lógicas em sua posição. É uma pena que elas me excluíram do futuro do país, mas é verdade que ele governou indisputavelmente por toda sua vida. Não pode-se dizer o mesmo da maioria dos líderes.

— E iniciar uma guerra agora é também a decisão mais lógica?

— Se você realmente viu do que os outros são capazes, deveria saber que sim. Só há espaço para um no topo, independentemente de quem seja, todos os demais ficarão aos seus pés.

— Você tem medo. Medo de sofrer o mesmo destino que impõe a tantos outros, de morrer por algo que não se importa com você — apontei, muito para o desgosto da idosa.

— A mamãe disse que estamos lutando pelo meu direito de nascença — o gigante deu de ombros.

— Bem como meu falecido irmão, já não existem mais extensões de vida que funcionem em meu corpo. Estou velha demais. Vou morrer em breve, e isso não me assusta de forma alguma. O que me assusta é imaginar o que vai ser desse debiloide do meu filho uma vez que isso aconteça.

— Debi o quê? — perguntou o “líder supremo” dos rebeldes, desentalando sua tanga de escamas douradas do traseiro.

— Se você não vai fazer nenhuma exigência, eu ofereço a mão do meu filho, ou mesmo que você governe o país pelas sombras. Você não vai encontrar melhor oferta para colocar essa sua cabeça e poder para funcionar, deve saber disso neste ponto.

— E-Eu não quero casar com ele, mamãe!

“Vush!”, cortei as barras de metal que me prendiam com minhas unhas de metal ancestral, e elas caíram tamborilando.

— Mentirosa.

— Eu. Não. Menti — rebateu a idosa por entre dentes enquanto o filho musculoso tremia dos pés à cabeça.

— Mentiu. Sobre tudo. Você passou séculos ressentindo seu irmão, e agora que sente o gostinho do poder, não quer largar nem depois de morta; até mudou suas morais por isso. Eu não estaria em controle de nada se aceitasse sua proposta, mas sim eternamente servindo sua vontade, eu seria nada mais do que seu servo. E recuso essa oferta.

Deixando os líderes supremos dos rebeldes para trás, libertei meus amigos e recuperei nossas armas.

— Ah, sim. Considere isso um presente de despedidas: os guardas da cidade estavam colaborando com a gangue do Galpão Velho. Acredito que o nome do líder desse esquema pode ser “Bascko”. Adeus.

 

 

— Mamãe?

Minhas luvas estalavam enquanto eu apertava os punhos com força.

Eu estava furiosa pela rejeita do serviçal, furiosa pelas acusações que fez, e furiosa pela impotência contra um único indivíduo.

— Mamãe? Alô? — meu filho idiota acenou à minha frente.

— Sai para lá, seu palerma! — estapeei a mão de meu filho para longe. —Você ao menos faz alguma ideia do que acabou de acontecer? Alguém tem tecnologia para produzir um serviçal capaz caminhar por uma base cheia de soldados inimigos tranquilamente, e não fazemos ideia de quem é. Ele até anda por aí com um de nossos protótipos, tirando sarro da nossa cara. Se mais desses forem criados, toda nossa luta terá sido em vão! Precisamos da nossa arma secreta, e precisamos dela o quanto antes... E precisamos mandar uma mensagem para quem quer que esteja por trás daquele serviçal. Precisamos destruí-lo!

 

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