Contra Todas As Estrelas Do Céu - Epílogo

Epílogo

Quando Machius de Toquestrela refez algumas coisas à sua vontade, tomou algumas “liberdades criativas”.

Nisso, alguns caelifanos foram reconstituídos, mas então libertos do seu estado feroz. Como a espécie de filósofos e artistas lidaria com o rancor pelos humanos e a culpa por terem quase acabado com toda forma de vida na superfície da Origem, só o tempo diria.

A Perdição foi expurgada, e a Terra Perdida liberada do azar que esta provocava. Não demoraria para que recuperadores descobrissem isso.

Toda a destruição causada pela guerra na Floresta Vermelha (e parte da Floresta Negra) foi revertida, mas alguns fósseis de opala foram mantidos como avisos.

Além disso, algumas figuras-chave se moveram quase imediatamente após os eventos do último conflito.

Kálcaro Absoluto-Absoluto casou-se com Laren Asboluta, assim acabando a guerra civil, e iniciando uma série de terríveis conflitos, mas estes eram privados e matrimoniais.

Os líderes do Sindicato e da Supremacia Purista desapareceram para sempre, e a população nunca soube se foram forças das sombras que preferiram acabar com eles do que arriscar fúria astral, ou se foi o próprio recém-ascendido Machius quem os apagou em segredo caprichosamente. De qualquer forma, aqueles que ficaram para trás foram cuidadosos o suficiente em organizar uma transição pacífica e discutir possíveis reestruturações às suas facções.

O Monastério prontamente dedicou-se a, mais uma vez, exterminar os pesadelos de uma vez por todas, apesar de logo perceberem que haviam grandemente subestimado a tarefa em mãos. Os líderes nacionais mantiveram em segredo o fato de que foi o próprio Monastério que trouxe os pesadelos de volta a fim de evitar ainda mais conflitos.

Sendo o alvo mais vulnerável do ódio, os piratas foram logo tornados válvulas de escape para a confusão e medo, e prontamente exterminados em sua maioria pela “irresponsabilidade sem proporções” de seus “planos megalomaníacos”. Os oceanos de Origem se tornaram imensamente mais pacíficos sem eles ou os leviatãs. Se os monstros haviam apenas decidido aquietarem-se ou haviam desaparecido de vez, era outro mistério.

Natanriel Ptolion desapareceu da vida pública, e pelos próximos tempos mais do que apenas algumas dezenas de veteranos deformados foram acusados de serem ele, ou proclamaram-se o próprio, mas nenhum possuía a força legendária. Alguns especularam que o ex-marechal perseguiu Machius para além de Origem, outros que ele tornou a procurar seu espírito de espadachim, e ainda outros que ele apenas afogou-se em bebida até a falha de seu fígado.

E assim, as estações e anos passaram, lenta e hesitantemente...

 

 

Segurei firme o revólver que um dia já pertenceu ao meu Mestre.

— Você tem certeza, Felicita? — Ed perguntou, visivelmente preocupado.

— ...Sim. Eu preciso saber. O que aconteceu com meu Mestre? Para onde ele foi? Ele disse que esperaria por mim, mas é óbvio que não está aqui, então eu preciso partir, descobrir o que isso tudo significa — apertei o cabo do revólver. — Porque eu quero me tornar uma artífice como ele.

— Mas-

— Você não ouviu, coroa? — Salesantra socou o ombro do amigo. Sorrindo para mim, disse: — Vá. Eles estão esperando.

— “Eles”...? — repeti. — Ah, não — meus ombros caíram e meu espírito de aventura morreu um pouco.

— Vamos logo, Rejeitada — chamou um moleque com um dente quebrado às minhas costas.

— É melhor você não provocá-la assim. Ela não tem sorrido e tem falado tudo num tom monótono desde que o chefe foi embora, claramente perdeu um parafuso. Ela pode realmente te matar agora! — aconselhou um ex-monasta com apenas um olho vendado, esperando ao lado do garoto.

Tentando evitá-los, passei direto pelos dois, sem dedicar-lhes uma palavra ou olhar.

— Então, para onde vamos? — perguntou Manuelo.

— Território caelifano — ainda havia muitas ruínas enterradas para além do Novo Limite que podiam conter alguma pista, segundo minhas investigações.

— Que?! Os caelifanos odeiam a gente! — Protestou Fraderico. — Maldito Edgardo, não falou nada sobre isso quando disse que deveríamos te acompanhar!

— Se não gostou, volte para casa — seria uma longa jornada com aqueles dois, e eu me garantia sozinha. Mas só consegui pensar numa frase para convencê-los a me deixar: — Vocês são livres para fazer o que quiserem.

Fim.

 

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